os funcionários

sangrar eu sangro
sangro todo dia,
quando vou ao detran,
se preciso da saúde,
ou do funcionário público.
mas isso não cabe no poema
viver não cabe no poema
porque o poema não é a vida
por isso, estamos fartos
do lirismo comedido,
do criacionismo criativo,
dos freudianos gabinetados
que se travestem de modos.
salve os intelectuais que já leram tudo
os que ouviram tudo
e que fazem careta
para o resto povo
salve os eruditos
os críticos
os afetados
e o homem público
salve!
os funcionários poéticos
comissionados de parságada

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Georja Queiroz 28 de março de 2012 20:05

    “Salve! os funcionários poéticos e comissionados…” Já li um post aqui nesse espaço, que se refere justamente a essa estrofe. Quem são os poetas de hoje? E “os intelectuais que já leram tudo, os que ouviram tudo, e que fazem careta, para o resto povo…” pra que servem? José de Paiva, muito bom seu poema, continue escrevendo. Parabéns!

  2. Regiane de Paiva 28 de março de 2012 17:12

    A poesia está pro munto e a serviço dos que sentem incômodo diante da vida. A poesia é um grito de dor, de lamento, de agonia e até de amor. A sua é indignação pura. Um salve a sua poesia onde tudo cabe nela! Bjs querido!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo