Os incompreendidos

Truffaut – Bazin

Uma obra prima do cinema e da Nouvelle Vague. Filme-poema dedicado ao grande André Bazin que havia lido o roteiro e morreria no primeiro dia da filmagem desse filme dirigido por François Truffaut. Um filme muito autobiográfico de alguém que ama o cinema, assim como o menino protagonista do filme, Antoine. Nada é perdido nesse filme que tem na sensibilidade e gestos do menino um tour de force. Só a juventude sem a couraça da idade pode moldar uma personagem com tal intensidade. “Os incompreendidos” teve a participação imprescindível do menino Antoine (Jean Pierre Léaud), participação decisiva no roteiro de Moussy e do Decae, na câmera. Um filme em cinemascope onde nada é perdido. Cada fotograma uma obra de arte. Até a cena dos pássaros voando ao serem atravessados pelo menino que roubava uma máquina de escrever é uma homenagem ao cinema, mesmo sendo supérflua no filme de Truffaut.

O jovem Antoine tem uma mãe ausente que mora com o seu padrasto. O menino é expulso do colégio e recebe umas tapas na cara do padrasto. Sua pena será como uma condenação á morte. Reclusão em regime fechado, trabalho forçado, etc. Só resta mesmo a fuga que finaliza esse filme comovente numa longa tomada do Antoine correndo em direção á praia da Normandia. Nenhuma emoção gratuita. O menino é responsável pelo grande sucesso do filme. O seu dialogo com a psicóloga é antológico. Nenhuma mentira. A Avó dele de que havia subtraído algum dinheiro entra na historia.

– Não esqueça de botar o lixo fora, diz o padrasto. Uma ordem que será repetida algumas vezes. O apartamento é pobre e todo o filme é rodado em ambiente natural, o que exige muito do câmera-men e do menino que diz para todos nós, adultos: DEIXEM de ser ridículos e hipócritas. Quando o menino leva porrada é como um soco no nosso estomago.

Sua mãe promete mil francos se ele escrever uma boa redação para escola. Antoine apela para Balzac e copia trecho de um dos seus livros. O truculento professor percebe e lhe adverte seriamente com uma nota zero. Zero também é uma alusão aos filmes “Zero em comportamento”, do Jean Vigo e “Alemanha Ano Zero”, de Rosselini. Filmes com a mesma temática do pos-guerra e do sofrimento infantil, muito apreciado pelo grande amante do cinema que foi Truffaut.

O altar que o menino faz para Balzac pega fogo. Ele não é beneficiado com os seus pequenos roubos. Um incompreendido pelos adultos e pais. A sua amizade com um amiguinho da escolha que o acolhe quando gazeia a aula é comovente. Colocado preso com outros delinqüentes maiores, só resta fugir. Uma longa fuga para a liberdade nesse grande hino ao cinema e a vida. UM DOS MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS.

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