Os limites do debate e os limites da mediação

Caro Tácito, o seu post abaixo é equilibrado e põe fim à questão, sem agredir, de maneira desnecessária, o autor do post “censurado”. Ao contrário, você oferece nova chance de participação. Nada mais será necessário colocar quanto a isso. Tudo o que vier depois, se for com a finalidade explícita de acirrar ânimos, será pouco inteligente, excessivo e configurará desvios.

Infelizmente, nem todos percebem isso e alguns terminam querendo surfar na onda dos debates iniciados nos últimos dias, mostrando, intempestivamente, influência ou alguma forma de poder, querendo dar a última palavra, sem autoridade e legitimidade para isso.

Quero lembrar, Tácito, que excessos têm sido cometidos, sim. Na época do “tapete alaranjado”, eu fui o PRIMEIRO a sugerir que algumas mensagens fossem controladas. E isso foi na origem de tudo. No comecinho da coisa.

Inclusive, fui voto vencido numa espécie de Conselho que você elegeu naquela altura. Alguns menos passionais devem se lembrar disso. Você, certamente, se lembrará.

Algumas daquelas mensagens me foram enviadas por e-mail pessoal para que eu expressasse minha opinião para o Conselho. De maneira ética, nunca revelei, nem comentei aqui o teor daquelas mensagens. Mas, em regra, fui contra o destempero verbal. Fazer o quê se naquele momento não fui ouvido ou entendido?

Acontece que, somente mais tarde, é que você e outros foram perceber a importância daquilo que afirmei. Mas, a essa altura, todos tinham sido vítimas do equívoco, inclusive eu, que terminei partindo para o ataque, também, em algumas situações em que me sentia desprotegido. Apesar disso, por minha formação ética e convicções de natureza jurídica, nunca baixei o nível como já vi por aqui em alguns momentos tristes.

Repito e ressalto: participo com ênfase e paixão, brigo, reclamo, sou chato, discordo, contrario muita gente que escreve de forma afoita, esquento o debate, trago lenha para a fogueira (das vaidades?), mas nunca desrespeitei pessoalmente ninguém. Fui até acusado injustamente disso, mas nunca fiz crítica que não tivesse aspectos culturais ou intelectuais envolvidos. Podem ler e reler os meus posts. Eles são a prova do que digo.

E acho que deveria ser assim para todo mundo.

Aqui, com tristeza, já vi insinuações de ordem pessoal, sexual, assuntos escatológicos e agressões teratológicas. E, afirmo e reafirmo, nunca me envolvi nisso.  Mal uso palavrões e gírias quando escrevo (por cuidado e amor à rica língua portuguesa) e acho que a vida pessoal de cada um merece respeito. Afinal, isso aqui não é um site/blog de fofocas, como vemos muitos por aí. Alguns, inclusive, travestidos de blogs jornalísticos e/ou culturais…

Acredito que no episódio recente, a situação que foi provocada pelo autor do post “censurado” teve origens mais remotas. Algumas criadas por ele mesmo. Infelizmente, também não foram detectadas a tempo. E é assim que termina, quase sempre, acontecendo. Uma pequena agressão aqui, outra acolá, e termina alguém se exaltando para não ficar em desvantagem (?) intelectual, moral, psicológica…

Agressividade intelectual é aceitável e essencial numa discussão de molde intelectual. Violência verbal, não, nunca! E algumas pessoas parecem não entender a separação tênue entre os dois conceitos.

Mas, o melhor, agora, é reconhecer o que foi feito de certo e o que foi feito de errado e passar, mais uma vez, uma borracha sobre o episódio e prosseguirmos todos juntos nessa nave para sei-lá-onde.

Abraço atencioso e parabéns pela decisão e pelo respeito que dedicou ao autor do post excluído e a todos nós.

p.s. Esse é o espaço mais dinâmico, democrático e vivo que temos na internet. Um achado. Uma fórmula completamente original. É único no Brasil e, quiçá, no mundo. Apesar disso, nunca virá a ser maior ou mais importante que nenhum ser humano, seja quem for. Vamos ver se aprendemos todos com mais esse episódio e que possamos corrigir nossas rotas em prol do debate produtivo e do bom senso.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 6 comments for this article
  1. Alex de Souza 3 de Dezembro de 2010 8:48

    Afora aparte (como se dizia lá em Florânia) esse trecho “Mal uso palavrões e gírias quando escrevo (por cuidado e amor à rica língua portuguesa)”, vosmecê tá certíssimo, Lívio.

    Abraço.

  2. Lívio Oliveira
    Lívio Oliveira 3 de Dezembro de 2010 8:55

    Alex, obrigado. Não sei se é mais uma piadinha sua. A linguagem ficou um pouco truncada. Mas, estou gostando de saber que tenho um fiscal pessoal muito presente e efetivo (e isso já faz tempo). Quem sabe um guarda-costas ou anjo da guarda intelectual? Tá contratado.

  3. Alex de Souza 3 de Dezembro de 2010 9:03

    Na verdade, Lívio, leio tudo, ou 97%, do que é postado aqui no SP, que acabou se tornando uma das minhas ligações afetivas com Natal depois que me mudei. Afinal, Tácito é praticamente meu tio e um amigo especial. Nessa brincadeira, devo acessar o site, no barato, umas 20 vezes por dia, já que gasto boa parte do dia em frente ao maldito computador. E, entre aqueles que conheço, não me furto de comentar as postagens. Afinal, essa área aqui é a ideal para interagir com os interlocutores. Dificilmente faço isso na página principal do site. Sou um pastorador, digamos assim, do SP, não de vosmecê.

    E o trecho selecionado é porque discordo mesmo dessa visão castiça sobre a língua, mas não preciso brigar com um amigo para discordar dele, não é mesmo?

    Abraço.

  4. Lívio Oliveira 3 de Dezembro de 2010 9:18

    Esse Alex é foda! É um puto! (pronto, perdi – tristemente – minha virgindade quanto aos palavrões). Quando me encontro com ele fico feliz da vida. É um bom papo, tem bom humor e, acima de tudo, é de uma inteligência desconsertante.

    Gosto dele e do que escreve. Tem alguns textos antológicos, pra escritor nenhum botar defeito (paulista chato nenhum escreve como ele). Aquele que escreveu sobre as “damas da noite” pessoenses (se não me engano) foi um que me deu inveja.

    Ademais, tem DNA. Vou até escrever sobre isso depois, como o fiz acerca de Carito e Mario Ivo.

    Agora, o cabra é tão doido por um deboche…

  5. Lívio Oliveira 3 de Dezembro de 2010 9:32

    Desculpem: “desconcertante”.

  6. Lívio Oliveira 3 de Dezembro de 2010 15:43

    No Aurélio eletrônico, vejam lá:

    des.con.ser.tar
    Verbo transitivo direto.
    Desarranjar, desconjuntar. [C.: 1 (é). Cf. desconcertar.]

    des.con.cer.tar
    Verbo transitivo direto.
    1.Fazer perder a boa disposição; desarranjar.
    2.Atrapalhar, desnortear.
    3.Desavir.
    Verbo intransitivo.
    4.V. disparatar.
    Verbo pronominal.
    5.Desarranjar-se, estragar-se.
    6.Atrapalhar-se.
    7.Desavir-se. [C.: 1 (é). Cf. desconsertar.]
    § des.con.cer.tan.te adj2g.

    Assim, as duas formas estão adequadas ao sentido do meu texto.
    Mas, tem gente que é, sim, incorrigível…

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