Os livros da vovó

“ Entre as ruínas de um convento,
De uma coluna quebrada
Sobre os destroços ao vento
Vive uma flor isolada ”

Flor Santa, Alberto de Oliveira

Gostoso saber os livros que as vovós liam em suas horas de lazer e sem a poluição da televisão. Ainda guardo alguns daqueles livrinhos lidos e relidos por minha avó. Leio-os com gosto e é como se estivesse lendo com os olhos dela. Cheirando Cashmere Bouquet e passando brilhantina.Gosto muito daqueles livrinhos de bolso da “Nossa Coleção”. Os livros do Ponson du Terrail – O Palácio dos Mistérios e A vingança da Judia-, fizeram muito sucesso no tempo dos nossos pais e avós. Eram livros singelos e agradáveis de ler. Livros para toda família. O romantismo desses livros publicados inicialmente na primeira metade do século XIX pode ser sintetizado nas palavras do Champfleury: “A literatura não é mais que os costumes das famílias, as doenças do espírito, a pintura do mundo, as curiosidades da rua…”
As histórias das literaturas reservam pouco espaço para esses escritores populares que um dia alegraram nossos pais e os levaram para lugares distantes e povoados de reis, princesas e muitas aventuras. Numa historia da Literatura Francesa li menos de uma frase sobre Ponson; O criador do Rocambole.
Pouco, não!. Um livro lido por gerações. Ainda tenho desse autor, a “Vingança da Judia” e o “Palácio dos Mistérios”. Um dos mais queridos por minha avó era o romance a “Rosa do Adro” do Manoel Maria Rodrigues, de 1938. Como ela adorava esse livro. “Que linda era a Rosa do Adro!”. E que lindo era aquele amor.
Uma outra coleção mais recente e que fez muito sucesso foi a “ Coleção Saraiva”. Eram livros em brochuras e vendidos por assinatura a preços módicos. Os livros dessa coleção começaram a ser publicados em 1948 e foi uma homenagem post-mortem ao criador da Saraiva e Cia, Joaquim Inácio da Fonseca Saraiva.
Tiragens de quarenta mil exemplares dos romances-folhetins de Amédée Achard e outros clássicos da literatura mundial e de língua portuguesa. Achard nasceu em Marselha em 1814, e escreveu entre outros livros o “ Capa e Espada e o “ Tosão de Ouro”.
Outro livro que fez a alegria no tempo da vovó foi “Ramona” da escritora americana Helem Hunt Jackson. Um best- seller que virou cinema no belo filme com o mesmo título dirigido por Henry King, em 1936. Estrelado pela bela Loretta Young e o competente Don Ameche. Helem era uma apaixonada pelo costumes e tradições dos índios, mantendo contato com eles chegando a aprender alguns dialetos. O filme e livro é uma expressão desse amor. A heroína do filme Ramona casa com um índio. Como tudo na literatura se resolve. O índio era bom desde que aceitasse a fé cristã.
Sucesso fez também o livros “Os fantoches de Madame Diabo” do Xavier de Montepin e Alma Negra, volumes I e II.
Passei o fim de semana com a vovó. Também tenho meus dias de nostalgia. Por favor, não mangue!.

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