Os médicos mostram suas caras, e elas são nada agradáveis

Estou de férias e aproveito para ir a alguns médicos a ver como anda a minha saúde, visto que já dobrei o Cabo da Boa Esperança e estou cada vez mais pra lá do que pra cá. Eu já tinha noção do desgosto e ódio que alguns médicos nutrem pelo PT, Dilma e Lula e o Mais Médico, principalmente.

Mas acreditava que, por uma questão de pudor e profissionalismo, isso estivesse restrito a um ambiente público, como as ruas ou redes sociais e eles tivessem outra conduta nos consultórios. Não foi o que constatei para minha decepção e preocupação.

Fui atendido por um médico num dia e em outro por uma médica. Em ambos, pelo menos 30% do tempo da consulta foram gastos com proselitismo político agressivio, próprio da oposição mais radical.

E eu para não perder a consulta, indispondo-me com os dois, decidi ouvir calado. Percebi que qualquer palavra mais equilibrada ou contestando aqueles discursos botaria a consulta a perder.

Os médicos sempre foram reacionários. E a campanha feroz contra o Mais Médico acabou expondo isso de forma muito clara. Um programa que não afetou em nada os profissionais brasileiros, que continuaram ganhando bons salários e tratando mal os pacientes do SUS e tratando bem os que podem pagar uma consulta particular. Simples assim!

Suspeito que essa seja a categoria profissional mais conservadora do país. Em parte, isso se explica pela origem dessas pessoas, quase todas oriundas das classes sociais mais favorecidas.

Mesmo entre os poucos médicos oriundos de classes mais pobres são raros os que não assimilam o discurso da maioria. Há cerca de dois anos eu tive oportunidade de comprovar isso ao ouvir da boca de um filho de um amigo recém-formado em Medicina que o compromisso dele era ganhar muito dinheiro. Um jovem de classe média, ignorante de dá pena, parece que lia somente a revista Veja, conforme ficou patente na breve conversa que tivemos.

A corrupção é um dos temas preferidos dos médicos. Podem reparar, nunca vi cidadãos tão revoltados com os desmandos governamentais e políticos. Embora muitos adotem o esquema de consultas com preços diferentes, com recibo o preço é um e sem recibo é outro. Alguns “esquecem” e outros se negam a dar recibo. Não quero nem me referir a escândalos como aqueles que passaram no Fantástico, o da máfia das próteses ortopédicas e dos flagrados falsificando o ponto eletrônico para não dar expediente… Isso é que é coerência!

Se não bastasse tudo isso ainda tem alguns que são anti-democráticos e contra a liberdade de expressão, querem falar tudo o que pensam, mas não toleram conviver com a pluralidade de opinião e o contraditório, como é o caso do jovem médico de direita, líder em Natal das manifestações contra o governo, que está processando o jornalista Daniel Dantas (leia AQUI).

Sim, tem exceções. Existem médicos equilibrados, que prezam a democracia e são honrados. Óbvio. Mas são poucos, muito poucos mesmo. E no final, prevalece mesmo é a imagem de uma categoria preocupada apenas e tão somente com ela mesmo, em um egoísmo insano, perverso e que ofende e revolta a maioria dos brasileiros, sobretudo os necessitados de assistência pública de saúde.

Uma desgraça tudo isso. Pobre nação!

Gardel, em 28.05.2015

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