Os melhores livros de 2011

Por Valor Econômico | São Paulo

SÃO PAULO – Os autores Cristovão Tezza, Francisco Alvim, Lourenço Mutarelli, Michel Laub e Zulmira Ribeiro Tavares foram os brasileiros mais lembrados na enquete organizada pelo “Valor” sobre os melhores livros publicados no país em 2011. Entre os estrangeiros, estão o argentino Alan Pauls, a polonesa Wislawa Szymborsk e o austríaco Thomas Bernhard (1931-1989). Foram citadas 42 obras na enquete; os livros mais recorrentes receberam dois votos cada um.

“Beatriz” marca o retorno do catarinense Cristovão Tezza, premiado autor de “O Filho Eterno” (2007), ao universo dos contos. Nas histórias, o escritor retoma personagens criados para seu livro anterior, “Um Erro Emocional” (2010). Quem também faz um retorno, mas para as histórias em quadrinhos, é o paulistano Lourenço Mutarelli, em “Quando Meu Pai se Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente”. Após experiências no romance e no cinema, como ator (“O Cheiro do Ralo”, “O Natimorto”), Mutarelli conta a atormentada história de um aposentado. Temas do cotidiano percorrem os 87 poemas de “Metro Nenhum”, do mineiro Francisco Alvim, enquanto “Diário da Queda”, do gaúcho Michel Laub, é permeado por recordações de infância do protagonista e do avô, sobrevivente de Auschwitz. “Vesúvio” é uma incursão de Zulmira Ribeiro Tavares à poesia.

Em “História do Cabelo”, Alan Pauls, dá prosseguimento à sua trilogia sobre os anos 70; desta vez, trata-se de um personagem obcecado pelo próprio cabelo na Buenos Aires dos tempos da luta armada. A coletânea “Poemas” apresenta ao público brasileiro a obra da polonesa Wislawa Szymborsk, em tradução para o português de Regina Przybycien. Obra de não-ficção, “Meus Prêmios” reúne relatos, discurso e uma carta de Thomas Bernhard, um dos principais autores em língua alemão do pós-guerra. No livro, o autor aborda principalmente a rotina e a realidade dos prêmios literários.

Participaram da votação Cadão Volpato, escritor, músico e apresentador do programa “Metrópolis” (TV Cultura); Heitor Ferraz, poeta e jornalista; José Castello, escritor, jornalista e crítico; Noemi Jaffe, escritora, doutora em Literatura Brasileira pela USP; e Ronaldo Bressane, escritor e jornalista.

Confira as listas a seguir:

Cadão Volpato

Nacionais

“Vesúvio” – Zulmira Ribeiro Tavares (Companhia das Letras)

“Vento Sul” – Vilma Arêas (Companhia das Letras)

“Beatriz” – Cristovão Tezza (Record)

“Apontamentos de Viagem” – Joaquim de Almeida Leite Moraes (Companhia das Letras)

“Quando Meu Pai se Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente” – Lourenço Mutarelli (Companhia das Letras)

Estrangeiros

“História do Cabelo” – Alan Pauls (Cosac Naify)

“Sardenha como uma Infância” – Elio Vittorini (Cosac Naify)

“Jakob Von Gunten” – Robert Walser (Companhia das Letras)

“O Zen e a Arte da Escrita” – Ray Bradbury (Leya)

“Meus Prêmios” – Thomas Bernhard (Companhia das Letras)

Heitor Ferraz

Nacionais

“Junco” – Nuno Ramos (Iluminuras)

“Onde o Céu Descasca” – Lu Menezes (7 Letras)

“Dois Rios” – Tatiana Salem Levy (Record)

“O Metro Nenhum” – Francisco Alvim (Companhia das Letras)

“O Afeto, ou Caderno sobre a Mesa” – Sabina Anzuategui (7 Letras)

Estrangeiros

“Poemas” – Wislawa Szymborska (Companhia das Letras)

“Guerra e Paz” – Leon Tolstói (Cosac Naify)

“O Duplo” – Doitoiévski (Editora 34)

“Odisséia” – Homero (Penguin/Companhia das Letras)

“Meus Prêmios” – Thomas Bernhard (Companhia das Letras)

José Castello

Nacionais:

1. “Uma Duas” – Eliane Brum (Leya)

2. “Vermelho Amargo” – Bartolomeu Campos de Queirós (Cosac Naify)

3. “Mano, a Noite Está Velha” – Wilson Bueno (Planeta)

4. “Poesia Completa” – Lúcio Cardoso (Edusp)

5. “Seria uma Sombria Noite Secreta” – Raimundo Carrero (Record)

Estrangeiros:

1. “O Romancista Ingênuo e o Sentimental” – Orhan Pamuk (Companhia das Letras)

2. “Natural:mente” – Vilém Flusser (Annablume)

3. “Diário de Luto” – Roland Barthes (Martins Fontes)

4. “Museu do Romance da Eterna” – Macedonio Fernández (Planeta)

5. “Os Últimos Dias” – Leon Tolstói (Companhia das Letras)

Noemi Jaffe

Nacionais:

“Diário da Queda” – Michel Laub

“Vesúvio” – Zulmira Ribeiro Tavares

“O Metro Nenhum” – Francisco Alvim

“Nunca Vai Embora” – Chico Mattoso (Companhia das Letras)

“Beatriz” – Cristovão Tezza

Estrangeiros

“Poemas” – Wislawa Szymborska (Companhia das Letras)

“Beatriz e Virgílio” – Yann Martel (Nova Fronteira)

“Herzog” – Saul Bellow (Companhia das Letras)

“Os Verbos Auxiliares do Coração” – Péter Esterházy (Cosac Naify)

“Poem(a)s” – e.e.cummings – Tradução de Augusto de Campos (Editora Unicamp)

Ronaldo Bressane

Nacionais:

“Diário da Queda”, de Michel Laub (Companhia das Letras)

“Habitante Irreal”, de Paul Scott (Alfaguara)

“Da Arte das Armadilhas”, de Ana Martins Marques (Companhia das Letras)

“Quando Meu Pai se Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente”, de Lourenço Mutarelli (Companhia das Letras)

“Amar É Crime”, de Marcelino Freire (Edith)

Estrangeiros:

“Asterios Polyp”, de David Mazzuchelli (Companhia das Letras)

“Alvo Noturno”, de Ricardo Piglia (Companhia das Letras)

“Castelo de Areia”, de Frederik Peeters e Pierre-Oscar Lévy (Tordesilhas)

“História do Cabelo”, de Alan Pauls (Cosac Naify)

“Os Dentes do Diabo”, de Susan Casey (Zahar)

Jornalista formado em 1984 pela UFRN. Trabalhou nos principais veículos de comunicação e assessorias de imprensa do RN. Foi professor da UNP, editou a revista PREÁ e coordenou o Concurso de Poesia Luís Carlos Guimarães. [ View all posts ]

Comentários

There are 2 comments for this article
  1. Tácito Costa
    Tácito Costa 21 de Dezembro de 2011 16:27

    Li três dos livros citados nas listas de melhores que publicamos hoje: Jokob Von Gunter, de Robert Walser, O Livro de Praga, de Sérgio Sant’Anna, e O Remorso de Baltazar Serapião, de Valter Hugo Mãe. O de Walser é o melhor, embora tenha gostado do de Hugo Mãe. Como sempre aparece alguém questionando essas listas de melhores, peço que não se preocupem com isso, todo ano nessa época a imprensa cultural faz isso. Essas seleções valem mais como possíveis indicações. Não significa que as obras elencadas sejam mesmo as melhores porque cada um tem a sua lista muito pessoal.

  2. Pingback: O romancista ingênuo e o sentimental, de Orhan Pamuk – Milton Ribeiro

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Vá para Topo