Os pintos não falam

Caros amigos:

O post de Gustavo é muito oportuno para incluirmos os corpos de machos em nossos diálogos sobre aborto e sexualidade.

Pois é: machos têm pintos que ficam eretos e com vontade de agirem sexualmente independentemente da vontade de seus portadores.

Trazer esse assunto para a conversa requer um exercício anti-culpa. Nós, machos, somos assim. Pra quem acredita em Deus, à imagem e semelhança d’Ele.

Estabelecido esses elementos do diálogo (homens têm pintos, os pintos não obedecem aos preceitos racionais, não há culpa nesse detalhe anatômico, que pode ser fonte de alegria para portadores e receptadores/as), acho legal darmos alguns passos que retirem a sexualidade de uma banalização televisiva. Desejo é vida (acho que o tema aparece na peça “Um bonde chamado desejo”: o avesso da morte), não podemos deixar que preconceitos, ignorâncias e violências sociais (particularmente, falta de dinheiro para as necessidades básicas: comida, diversão e arte) estraguem o que pode ser uma festa.

Woodstock nos enganou: não basta transar em público para que culpa e mercado sejam ultrapassados. Pelo contrário, os últimos 40 anos foram marcados pela mercantilização do sexo (revistas, programas de tevê, roupas), a culpa continua a nosso redor. E as pessoas geram vidas sem nem prestarem atenção nesse pequeno detalhe.

Temos (homens e mulheres) muito a falar sobre isso.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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