Os próximos capítulos do negócio do livro

“Enquanto os jornalistas ainda discutem se os jornais vão acabar – e eles continuam acabando –, Jeff Bezos, da Amazon, vai mexendo seus pauzinhos para dominar, nos próximos anos, o chamado negócio do livro. Bezos mereceu a capa na última Fast Company, que, por causa do Kindle, aproxima a Amazon da Apple e seu fundador, de Steve Jobs. A revista sugere que: assim como iPod e iTunes redefiniram o negócio da música, entregando o monopólio da distribuição on-line à Apple e a Jobs, o Kindle e seu software podem redefinir o negócio do livro, encurtando a distância entre autores e leitores, relegando editores, gráficas e outros profissionais da indústria do papel a um segundo plano. Um exemplo: se hoje os ganhos dos autores, em porcentagem, são insignificantes, por conta dos custos de revisão, edição, diagramação, impressão, distribuição e divulgação, no modelo da Amazon, esses mesmos ganhos podem ser tornar, proporcionalmente, mais relevantes – porque não haverá mais custos relacionados à produção e à circulação do livro físico. Se os antigos editores já começam a se preocupar, deveriam se preocupar ainda mais porque o Google está se aliando à Sony, para entrar nesse jogo, enquanto há suspeitas de que a própria Apple estaria preparando seu leitor eletrônico (embora Jobs negue, como negou, aliás, o vídeo no iPod e a sua fusão com o celular, o iPhone). E enquanto acadêmicos ficam discutindo se ler na tela é a mesma coisa que ler no papel, a internet vai reinventando a narrativa, com o link, o áudio e o vídeo. O livro vai acabar como o jornal? Não; mas vai sofrer transformações que os velhos editores nem sonham ainda…” JULIO DAIO BORGES (http://www.digestivocultural.com/)

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