Os quadrinhos de Anchieta

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Por Woden Madruga
NA TRIBUNA DO NORTE

O Sebo Vermelho juntou num só volume três trabalhos de Anchieta Fernandes e deu o título de Ler Quadrinhos, Reler Quadrinhos RN, jogada perfeita de Abimael Silva. Tudo começou com “Desenhistas Potiguares: Caricatura e Quadrinhos”, de 1973. Por aí começa a história do Grupehq (Grupo de Pesquisa de Histórias em Quadrinhos), os meninos de 1971. O segundo trabalho é “Do Pererê aos Quadrinhos Norte-Riograndenses” e o terceiro,”Literatura & Quadrinhos”, ambos separatas da Revista de Cultura Vozes, que me faz lembrar a figura de Moacyr Cirne, um de seus editores.

O lançamento será sábado, depois de amanhã, coisa das 9 horas (até ao meio-dia) na loja do Sebo Vermelho, da avenida Rio Branco, 705, na Cidade Alta.

Comentários

Há 11 comentários para esta postagem
  1. Godot Silva 2 de dezembro de 2011 17:35

    Alice N., não espere por Godot, aguardo o seu comentário – resposta. “Ai, por favor…”

  2. Godot Silva 2 de dezembro de 2011 10:13

    Alice:
    Quando não estou sóbrio – ALICE –, estou no “País das Maravilhas”. Eis a razão do “será” pelo ”serão”, corrigido devidamente por você. Ontem à tarde fiz um comentário para Jairo que achei também bem estranho – a vodka é a culpada. Quanto ao Tio Patinhas, quero dizer apenas que é coisa de americano… Reportei-me – ALICE – a questão ideológica como algo presente em qualquer atividade humana – por exemplo: De forma magistral Quino se utiliza do “mundo infantil” para criticar o “mundo dos adultos”, tendo como interlocutora uma menina (a questão de gênero assume um caráter altamente contra-hegemônico, sobretudo por se tratar dos anos 60) de seis anos e seus amigos. Ou seja, critica a sociedade argentina da segunda metade do século XX, sem perder de vista a conjuntura político-econômica mundial, valendo-se de “vozes” que são INOCENTES, pueris, mas que ao mesmo tempo são as únicas vozes “autorizadas” a falar, numa Argentina mutilada pelo autoritarismo dos diversos regimes civis/militares que ocuparam a cena política do último século. Obrigado pela correção e por mais alguns drinks; não pela correção, mas pelo belo nome: ALICE. Nome, aliás, que vem do Grego – Alethia –, que era o nome de minha mãe. Também encontrado na região fenícia-cartaginês…

  3. Alice N. 2 de dezembro de 2011 0:16

    “Mesmo que aparentemente ingênuas as HQs, jamais será inocente”. Jamais serão, acho que se quis dizer… Mas alguém aqui falou em inocência? Inocência (ou ingenuidade?) é pensar que o vizinho acomodado e consumista Marcel é o vilão da estória ou que as HQ’s ecologicamente corretas é que estão corretas, enquanto o Tio Patinhas e seu vil metal devem ir para a fogueira da inquisição da crítica sacramentada… O valor de uma HQ se demarca por seu engajamento político e ideológico? E qual é o engajamento mais correto para ser a verdade do mérito artístico? Ai, por favor…

  4. Godot Silva 1 de dezembro de 2011 22:43

    Mesmo que aparentemente ingênuas as HQs, jamais será inocente. Ao se valer dos mecanismos da cultura de massa, o quadrinheiro, a rigor, compromete-se política e socialmente com o tempo histórico que marca a sua existência enquanto ser concreto no interior das classes sociais, assim como se compromete ao recusar esses mesmos mecanismos. Autores como o argentino Quino com sua contestadora personagem Mafalda, ou o roteirista inglês Alan Moore que prega a proteção do meio ambiente e faz propaganda ecológica subliminarmente nos Comics da DC do personagem Monstro do Pântano, até mesmo o americano Jim Starlin que no personagem Warlock ensina que ninguém precisa ter líderes, heróis ou governo. Um dos mais libertários é o francês Caza, que na revista Métal Hurlant-Heavy Metal fez HQ em séries nas quais ele próprio era o personagem enfrentando o pesadelo urbano e a mediocridade de um vizinho, Marcel, que encarna o pseudo-cidadão alienado e manipulado, consumista, acomodado. Sem falar na contaminação ideológica dos anos 60/70, como bem ressaltou Alex.

  5. Alice N. 1 de dezembro de 2011 21:38

    E Alex: ótima a dica de Suehiro!

  6. Alice N. 1 de dezembro de 2011 21:16

    Sim, certamente a obra reunida nesta nova edição reflete uma época, tendências de análise e preferências (os três textos de 1972, 1973 e 1976). Mas o fato é que está sendo reeditada em 2011, e a pergunta é: nenhum comentário extra do autor sobre o contexto das edições originais ou sobre suas perspectivas atuais? O que se mantém e o que se rompeu no seu olhar crítico sobre a tal arte sequencial?
    A meu ver, dizer que há subquadrinhos é o mesmo que dizer que o macarthismo estava certo, em alguma medida.

  7. Alex de Souza 1 de dezembro de 2011 20:47

    A ‘contaminação’ marxista motivou várias leituras ideologizantes dos quadrinhos nos anos 60/70. Era preciso marcar bem o que era imperialista e o que era revolucionário. O trecho em destaque de Anchieta reflete bem esse ambiente. Outros escritos de Moacy Cirne do período também trazem esse ranço. Mas é o fruto da época – e deve-se dar o devido desconto.

    Os quadrinhos Disney, como todo produto da indústria cultural, pelo volume excessivo de material publicado, tem altos e baixos. Mais baixos que altos, convenhamos. A mesma crítica poderia ser feita aos batmans e supermans da vida, aos quadrinhos de Mauricio de Sousa, aos faroestes da Bonelli.

    Mas, do lodo nasce a lótus (ui! preciso parar de ler esses poetas). Como não reconhecer o valor das exóticas aventuras imaginadas e desenhadas por Carl Barks, o desenhista pouco conhecido da Disney que criou o Tio Patinhas? Ou as apropriações feitas pelos italianos nas histórias aventurescas e burlescas do Superpato? Ou ainda o brasileiríssimo traço do Zé Carioca de Renato Canini? E mais: o atrapalhado Peninha, transformado num dos principais personagens da Disney brasileira, por obra e arte dos nossos artistas, uma vez que o personagem nunca teve qualquer destaque na matriz norte-americana? Há quadrinhos e quadrinhos, mesmo na Disney.

  8. Marcos Silva 1 de dezembro de 2011 16:28

    Alice, conheço esse texto. Ele é de uma época em que muitas análises de esquerda caíam de pau nos estúdios Disney.
    Não gosto desse universo dos quadrinhos. Sua preocupação, todavia, é pertinente: ao invés de hierarquias, seria melhor analisar a ruindade ali presente.
    Gosto pessoalmente de Anchieta. Acho legal rediscutir seu universo, seu pioneirismo na área. Inclusive os excessos. Sem perder algumas conquistas, como a atenção pelos quadrinhos locais.

  9. Alice N. 1 de dezembro de 2011 16:12

    No “Literatura e Quadrinhos”, precisamente na página 430 da primeira versão, o autor se refere a Tio Patinhas (e ” adjacências”) como “subquadrinho”. Estranho um pesquisador e amante dos quadrinhos pensar assim, já que os próprios quadrinhos, de um modo geral, já foram condenados à pecha de “subgênero”. Será então que há mesmo as HQ´s que “deformam o cérebro”?

  10. Alex de Souza 1 de dezembro de 2011 8:38

    Essa edição da Vozes, com o texto de Anchieta, eu tenho aqui. Comprei num sebo por R$ 3. É um texto instigante.

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