Os sonhos de todos nós

Por Caio Fernando Abreu

Se me perguntassem qual foi o livro que mais gostei de ler em 1984 (e nos últimos anos), responderia sem vacilar: Pergunte ao Pó, de John Fante.

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Comentários

Há 9 comentários para esta postagem
  1. Jóis Alberto 15 de outubro de 2011 2:55

    Li John Fante nos anos 80, em livros da Brasiliense, editora que à época revolucionou o mercado editorial brasileiro, com coleções que marcaram época, como a ‘Circulo de Letras’, que publicou títulos de Fante, de Bukowski, escitores beats, e, salvo engano pela mesma coleção, escritores de literatura policial noir, como Dashiell Hammett – autor do célebre “O falcão maltês” -, e Raymond Chandler, além de autores brasileiros, como Waly Salomão, com “Gigolô de bibelôs”. Da mesma Brasiliense, como se sabe, destacavam-se – ou destacam-se, ainda hoje – também: a coleção “Primeiros passos”, com dezenas de títulos, que desde então tem sido lidos por milhares de estudantes universitários de todo o Brasil; e, menos conhecida, a coleção “Encanto Radical”, com biografias de nomes tão ecléticos quanto de encanto radical, como Noel Rosa, Artaud, Karl Marx, Nelson Rodrigues, Camus, Madame Satã… Preciso reler muitos desses autores acima citados, em especial os beats, porque quando li, era uma época de tempos sombrios, de sufoco político, do governo militar. Além disso, naqueles tempos, eu biritava demais pelos bares de Natal e, hoje, passados tantos anos, o esquecimento é grande – amnésia alcóolica, sei lá! Pelo que consigo me lembrar, considero “Espere a primavera, Bandini”, de Fante, um livro tão marcante quanto “Judas, o obscuro”, de Thomas Hardy. Ainda sobre esses assuntos, e respondendo à querida Nina Rizzi, que lançou pergunta aqui, em comentário à matéria em foco, sobre outro livro de John Fante: a editora Civilização Brasileira era mais conhecida por publicar autores do marxismo – em especial Gramsci, e também o próprio Karl Marx, com os livros que formam “O Capital” – mas a Civilização Brasileira também publicou livros de autores que foram lidos, no Brasil, no contexto da contracultura, como Hermann Hesse, e o reverendo budista Murillo Nunes de Azevedo, autor do clássico “O olho do furacão”. À época, a Civilização Brasileira era de propriedade do marxista Ênio Silveira, um dos maiores editores da história da indústria editorial de livros no Brasil. Alguns anos após a morte de Ênio Silveira, a Civilização Brasileira foi adquirida pela editora Record, passando a ser um bom selo desta última, mas já sem o carisma da época de Ênio Silveira e dos tempos de corajosa combatividade ao governo militar.

  2. Alex de Souza 14 de outubro de 2011 16:56

    Bem lembrado, Tetê, os Fante que me sobraram na estante vieram das mãos de Abima.

  3. Nina Rizzi 14 de outubro de 2011 15:21

    Sim, Carito, é a primavera de Bandini!

  4. carito 14 de outubro de 2011 14:52

    Adoro Fante! Pergunte ao Pó e Sonhos… me maracarm profundamente! Hey Nina, pode ser “Espere a Primavera, Bandini”…

  5. tete bezerra 14 de outubro de 2011 12:40

    Adoro Fante,li 5 livros dele.Não posso mencioná-lo que logo me vem a lembrança Abimael,o nosso sebista,esse sim, é o maior leitor de Fante.

  6. Jarbas Martins 14 de outubro de 2011 11:33

    Flores do Não./ Esses erros/ de digitação !!!

  7. Jarbas Martins 14 de outubro de 2011 11:32

    Fante li não./Soa belo como um erro/ de digitação !!!

  8. Alex de Souza 14 de outubro de 2011 11:20

    Fante é o que há.

  9. Nina Rizzi 14 de outubro de 2011 10:45

    Gosto muito do Fante. Saí à sua caça quando li uma referência em “Mulheres”, do Bukowski. Mas nunca encontrei “Pergunte ao pó” por estar fora de catálogo (alguém sabe me dizer o que foi feito da santa Editora Civilização Brasileira?), mas devorei numa talagada o “Sonhos de Bunker Hill”. Mas vejam a boa notícia: A livraria Saraiva lançou um selo com vários autores clássicos, dois livros em um (!), entre eles o “Pergunte ao pó” do Fante, mas não lembro agora o título das outras aventuras de Bandini que estão no mesmo livro, de pernas pro ar…

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