Oswald e Candido na Flip

Anita Malfatti: Retrato de Oswald

O Comedor de fígado da cultura brasileira e sua “garçonniere”

Caro Horácio e amigos pluralistas,

Oswald, Candido e Mário de Andrade.

A festa é dupla. O crítico e o criador. Oswald foi um gênio da cultura brasileira. Um dos escritores mais criativos da literatura brasileira. Inteligentíssimo e culto. Antonio Candido soube compreender isso no calor da hora.

Entre outros grandes livros da literatura brasileira, Oswald escreveu o livro-álbum-diário da “garçonniere” oswaldiana, produzido durante os turbulentos anos 1917/ 1918. Oswald de Andrade é o “enfant terrible” das nossas letras e tudo que faz traz a marca do gênio e do excesso. Seja no elogio ou na crítica. Do Nelson Rodrigues disse ser um “analfabeto coroado de louros”.

Oswald e Mário

A oposição falsa entre Mario e Oswaldo é sempre colocada, para prejuízo do primeiro. Oswaldo atacou muitas vezes o sensível Mario em poemas e declarações públicas. Oswaldo assinava artigos (sic) com o codinome Cabo Machado, numa referencia ao personagem de um poema de Mário de Andrade “ Cabo Machado é cor de jambo./… (…) Cabo Machado é doce que nem mel…”. Uma provocação oswaldiana sem propósito. Em um outro texto Oswaldo intitula de “Boneca de Piche”: alusão à suposta homossexualidade de Mario e sua cor.
O Jornalista Nelson Werneck que escreveu sobre a temporada de Mario no Rio de janeiro (M. de Andrade: exílio no Rio), também faz alusões á sua sexualidade.
A escritora Rachel de Queiroz na sua autobiografia ( Tantos Anos) afirmou que Mario teria sido mais feliz se tivesse assumido sua homossexualidade.

Um gênio

Excessos á parte, Oswald foi um gênio da cultura brasileira. O livro “O perfeito cozinheiro das Almas deste Mundo”, é um dos mais belos livros produzidos no Brasil e foi publicado em edição facsimilar numa belíssima edição no século passado. Tenho essa edição repleta de colagens, tintas de cores variadas, carimbos, intervenções e ready-made numa féerie oswaldiana e de seus grandes e talentosos amigos que freqüentavam a famosa garçonniere da Libero Badaró paulistana amada e ainda pacata no início do século XX.

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. horácio oliveira 8 de julho de 2011 10:38

    Da Mata,

    A importância de Oswald de Andrade é enorme. Assim, é lamentável quando se vê parte da intelectualidade nativa atribuindo-lhe o epíteto de piadista, desconsiderando a sua valiosa contribuição como poeta,escritor e crítico da cultura brasileira. Suas teses são textos importantíssimos. A Marcha das Utopias e A Crise do Messianismo constituem uma contribuição de pensamento e interpretação de nossa cultura tão importantes quanto as de outros escritores reconhecidos por esse mérito.

  2. Marcos Silva 8 de julho de 2011 7:38

    Tenho grande afeição pela obra de Oswald de Andrade, seus poemas e as Memórias sentimentais de João Miramar, mais as peças (li A Morta e O Homem e o Cavalo nos anos 60, quando estavam esgotadas, em volumes emprestados por José Bezerra Gomes) foram grandes aventuras espirituais de minha juventude. Hoje em dia, avalio que Oswald, talento maior, tem obra muito irregular, que oscila entre o excelente e o fraquíssimo.
    Concordo plenamente sobre a tolice de opor Oswald a Mário. As baixarias de um sobre a sexualidade do outro são simplesmente baixarias, indignas de quem falou em pansexualismo. Tendo a encarar o gênio dispersivo de Oswald e o espírito disciplinado de Mário como faces complementares da modernidade brasileira. Não existe Macunaíma sem Oswald, não existe Marcha das Utopias sem Mário.

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