Otto Lara Rezende

Tem pessoas que já nascem erradas. Outras trazem a sorte até no nome de batismo. Nascem bonitas e inteligentes. O plano de saúde cobre a sua vida sem hereditariedade.

De certos nomes tenho inveja. Assim acontece com o nome do escritor mineiro Otto Lara Rezende. E não é de hoje essa inveja! O nome mais sonoro. O mais musical que conheço.
Otto escreveu novelas e contos. Poucos para tanto talento e verve. Otto gostava de caçoar dos outros, de si e dos mineiros. Não precisa muito, mas ele foi o único “mineiro que deixou de ser banqueiro”.

Um tremendo “causeur”. E tem mineiros para quem não existe saída!.

Sobre ele disse um outro escritor genial. Alguém que sabia penetrar no DNA das coisas e do coisa. Aquele mesmo: o coisa, que ás vezes aparece.

Nelson Rodrigues sugeriu ao amigo Otto que abrisse uma “Loja de Frases”. E assim ele fez. Distribui frases demolidoras. Deixou uma obra menor que a que sua inteligência era capaz.
Sua frase mais célebre é atualíssima e já foi dita das mais diversas formas e cenários: “o mineiro só é solidário no câncer”

O homem é mesmo essa coisa.

Frases vendidas na loja Otto:

“O homem é um animal gratuito”.

“ O homem é dramático porque morre”

E quando tem problemas vai falar com a comadre:

“ o analista é uma comadre bem paga”

Igual aquele outro que tem tantos inéditos. Otto foi mais original

“ eu sou o autor de muito originais e de nenhuma originalidade”

Genial, Otto. Empresta teu nome!

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Comentários

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  1. Jarbas Martins 15 de outubro de 2010 18:38

    Foi bom, amigo João, você ter lembrado esse frasista genial, que foi o Otto Lara Resende.Quando, antes do golpe de 1964, a esquerda pregava abertamente a Revolução Socialista, Otto irônico e realista dizia: “A Revolução está nas ruas e os revolucionários estão em casa”. Uma verdade incontestável, que nenhum pelego, remanescente desta época, ousará negar. Outra dele: o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, durante o governo de Goulart, extrapolando as suas atribuições, fazia críticas radicais ao nosso presidente, numa clara demonstração de interferência nos assuntos internos do país.Uma frase de Otto (já se aproximava o fim do mandato constitucional de Jango) causou impacto: “Basta de intermediários: Lincoln Gordon para Presidente !”

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