“Outra Hora da Estrela…” foi a melhor atração da segunda noite do FLIN

Por Tácito Costa

O melhor mesmo do segundo dia do Festival Literário de Natal foi o espetáculo lítero-musical “Outra Hora da Estrela – Uma Homenagem a Clarice Lispector”, com Jussara Silveira (intérprete), uma voz que me lembrou a de Gal, Sacha Ambak (piano), Marcelo Costa (percussão), Muri Costa (violão), e Eucanaã Ferraz (narração e direção).

Como eu já esperava deu menos da metade do público do dia anterior, quando a tenda superlotou pra assistir Adriana Calcanhoto e Cid Campos. Mais Adriana, claro, que o Cid ainda é desconhecido.

Lamento muito por quem perdeu porque foi um espetáculo encantador, em muito superior ao da noite passada. Eu li o livro e vi também o filme homônimo de Suzana Amaral, com José Dumont, Fernanda Montenegro e Marcélia Cartaxo, que ganhou importantes prêmios na década de 80, entre outros, o Urso de Prata em Berlin. (Assista: http://www.youtube.com/watch?v=WA_DoAAwc2E)

Penso que esta talvez seja a obra de Clarice mais conhecida – e também a de leitura mais acessível. Durante cerca de uma hora e meia a voz do narrador – em trechos escolhidos do livro (o último escrito por Clarice, vazado por uma tristeza danada) – revezava-se com canções brasileiras para recontar a história e criar a atmosfera clariceana. Uma atmosfera melancólica porque a história da migrante nordestina Macabéa é muito sofrida.

O livro tem trechos e diálogos impagáveis, como este:

“E Macabéa, com medo de que o silêncio já significasse uma ruptura, disse ao recém-namorado: – Eu gosto tanto de parafuso e prego, e o senhor?”

POESIA NA VEIA

Só ontem dei-me conta de que a ficção foi pouco contemplada nesta edição. Quase todas as mesas redondas abordam poesia e música. Não que eu ache ruim, a poesia merece e precisa de mais espaço. Está mais para constatação essa minha observação.

Das outras mesas da noite, gostei muito da de Carito, Cid Campos e João da Rua, sobre a mistura da palavra com a poesia e a imagem. A que abriu a noite, com Abimael, Alex de Souza, Anchieta Fernandes também foi massa, sobretudo com as divertidas histórias que Abimael contou sobre Moacy Cirne.

A mesa com os poetas Eucanaã Ferraz e Francisco Alvim, mediada pelo professor Humberto Hermenegildo, levantou algumas questões bem interessantes sobre a produção poética contemporânea, sobretudo a relação desta com a internet. Eucanaã tem uma visão otimista sobre essa relação. Ele considera que a internet deu novo fôlego à poesia e que da quantidade pode sair qualidade do que é publicado na rede. É o que todos esperamos.

 

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