P.D. James

Título original: Em uma das últimas entrevistas, P.D. James disse planejar mais um livro

Por Raquel Cozer
COLUNISTA DA FOLHA

A escritora britânica P.D. James, que se consagrou por retratar as transformações da sociedade inglesa em romances policiais, morreu nesta quinta (27), aos 94 anos.

A editora inglesa Faber & Faber informou em nota que a “baronesa James de Holland Park” –título recebido em 1991–, “mãe, avó e bisavó muito amada”, morreu “pacificamente” em sua casa em Oxford, na Inglaterra. A causa não foi divulgada.

Considerada um dos maiores nomes do gênero policial, P.D. James escreveu 19 romances, 14 dos quais protagonizados pelo detetive Adam Dalgliesh, e três livros de não ficção, inclusive o ensaio “Segredos do Romance Policial”, publicado em 2012 pelo selo editorial Três Estrelas, do Grupo Folha.

O mais recente romance, “Morte em Pemberlay”, espécie de sequência policial de “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, saiu em 2011 e foi editado em 2013 pela Companhia das Letras, que detém 16 de seus livros no catálogo.

Phyllis Dorothy James nasceu em 3 de agosto de 1920 e deixou a escola aos 16 anos, para seguir carreira no serviço público, como o pai. Aos 21, casou com Ernest White, com quem teve duas filhas.

White lutou na Segunda Guerra e saiu dela com problemas mentais, incapacitado para trabalhar, o que levou James a sustentar a família desde cedo, atuando nas áreas de saúde e polícia.

Nos intervalos entre o trabalho e os cuidados com a família, começou a escrever.

“Eu planejava a trama no caminho para o trabalho e escrevia durante os finais de semana e nos feriados. Foi por isso que demorou tanto. Comecei o livro com 35 anos e tinha 42 quando ele foi publicado”, disse a escritora à Folha, em 2006, em referência a “Cover her Face”, de 1962.

O romance de estreia, editado em 1984 pela Francisco Alves como “A Chantagista” e hoje no catálogo da Companhia das Letras como “O Enigma de Sally”, foi contratado pelo primeiro editor que leu o manuscrito.

Como explicou, em 1994, à revista “Paris Review”, James sempre teve a intenção de se tornar escritora e começou com policiais como aprendizado para depois se dedicar a romances “sérios”.

O sucesso internacional veio em 1980, com “Innocent Blood”, em que uma jovem descobre um segredo criminoso envolvendo sua adoção.

James vendeu os direitos do livro por 380 mil libras (equivalente hoje a quase R$ 1,5 milhão) e para o cinema por outros 145 mil libras (cerca de R$ 570 mil hoje) –mais do que ela ganhara nos dez anos anteriores no serviço público. E então se aposentou. “Comecei a semana relativamente pobre e, ao final dela, não era mais”, ela lembrou.

Seu romance distópico “The Children of Men” foi adaptado por Alfonso Cuarón no filme “Filhos da Esperança” (2006), com Clive Owen e Julianne Moore nos papéis principais, e concorreu a três Oscar, incluindo o de roteiro adaptado.

Ao longo da carreira, ela venceu alguns dos principais prêmios para romances policiais, como o Crime Writers’ Association’s Diamond Dagger, em 1987, e o Grand Master Award from Mystery Writers of America, em 1999.

Também ganhou honrarias públicas, chegando à Câmara dos Lordes em 1991, onde se juntou aos conservadores.

Numa de suas últimas entrevistas, à BBC, no ano passado, ela falou dos planos de escrever um último romance policial. Sua agente literária, no entanto, diz não acreditar que ele tenha sido escrito.

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