Padre Sabino e seu trabalho em Mãe Luíza vira livro

Por Sheyla Azevedo

O bairro de Mãe Luíza tem um marco divisório de antes e depois da instalação do Centro Sócio-Pastoral Nossa Senhora da Conceição (CSPNSC) fundado pelo padre italiano Sabino Gentili, que se mudou para a comunidade nos anos 1980, lá permanecendo até 2006, quando veio a falecer precocemente, com pouco mais de 60 anos em sua terra-natal. O livro, “O Morro pede passagem: Educação libertadora em Mãe Luisa – Natal/RN”, escrito pela professora doutora Maria Aparecida da Silva Fernandes, enfoca o trabalho de Sabino naquela comunidade e sua metodologia de ação, educacional e social, uma vez que foi através do CSPNSC que “seu mentor conseguiu articular de forma permanente, ações de inclusão social, mobilização comunitária e educação, utilizando-se, para isso, de uma metodologia assentada nos princípios da educação popular”. Os interessados em conhecer a trajetória desse religioso que mudou o panorama de toda uma comunidade – antes estigmatizada e que só figurava nas notícias nas páginas policiais – o lançamento será no dia 24 de julho de 2015, na Galeria de Arte do IFRN da Cidade Alta, com participação musical de Carlos Zens. Vendido ao preço de R$ 50, parte da renda da venda dos livros será destinada ao Centro de Convivência de Idosos Espaço Solidário (fundado pelo Pe. Sabino).

De acordo com a autora do livro – fruto de sua tese de doutorado sobre a metodologia de educação de Pe. Sabino em Mãe Luiza, com prefácio de Marta Maria Pernambuco, apresentação de Ion de Andrade e posfácio de Paulo Palhano – o significado de “Educação Libertadora” do subtítulo está ligado ao sentido freireano (Paulo Freire), como “possibilidade de se conquistar autonomia, criticidade, capacidade de tomar decisão como sujeito e impulsionador de mudanças”. Moradora do bairro de Mãe Luíza, Aparecida Fernandes diz que padre Sabino foi sua principal referência inspiradora desde seus 7 anos e “continua sendo” até os tempos atuais.

O trabalho de padre Sabino dentro de Mãe Luíza foi, desde o princípio, um trabalho que colocava o sujeito, nesse caso os moradores da comunidade como atores sociais, que questionavam sua condição e, dessa forma, se tornavam seres pensantes e questionadores, os quais, fosse o caso e a necessidade, encaravam conflitos. Ele costumava escrever em jornais de circulação como Diário de Natal e também no jornal Farol de Mãe Luíza. “O nosso bairro já expressou que quer ter as rédeas em mãos de sua própria história, quando vem reivindicando rede de esgoto, área de lazer, funcionamento das escolas e dos serviços de saúde. O bairro de Mãe Luíza é conhecido como o único da cidade com um plano diretor. Somos uma comunidade que conseguiu tirar a favela do sopapo pelo trabalho em mutirão dos moradores e de outras pessoas que abraçam nossa causa”, diz ele em trecho de artigo republicano no livro O Morro pede Passagem.

Quase uma década após a morte de padre Sabino sua obra social permanece no bairro. Aparecida Fernandes atribui essa continuidade ao à grande capacidade articuladora que ele tinha, aliada ao princípio democrático que defendia. “Desse modo, aglutinou pessoas e desejos em torno não dele, mas de um projeto coletivo de sociedade”, diz ela. Sobre a quebra de estereótipos de que Mãe Luíza era apenas um bairro violento, passando a ser conhecida também como uma comunidade ciente de seus direitos como organização social e política, Fernandes acredita que o padre também trabalhava intensamente nessa questão: “Em toda a trajetória de Sabino em Mãe Luiza ele contribuiu para isso. Acreditou na capacidade organizativa da comunidade e se tornou dela um companheiro, contribuindo para seu processo emancipatório, no sentido de não aceitar a discriminação e potencializar ações para avançar na conquista por seus direitos. Então, sua atuação se deu em algumas frentes: em processos de educação (formal e não formal), organizativos e participativos, tendo o diálogo como ferramenta principal”.

O livro é estruturado em cinco partes: O sujeito, a ação coletiva e os questionamentos às relações de dominação; O morro e seus itinerários: breve história de Mãe Luíza; Os itinerários de Sabino Gentili; As demandas comunitárias e um jeito particular de mobilizar e educar e a conclusão: Sabino e a educação pelo consenso.

Lançamento do livro “O morro pede passagem: educação libertadora em Mãe Luisa – Natal/RN”

Autora: Aparecida Fernandes

Data: 24 Julho de 2015

Hora: 19h

Local: Galeria de Arte do IFRN da Cidade Alta

Parte das vendas será destinada ao Centro de Convivência de Idosos Espaço Solidário

(fundado pelo Pe. Sabino)

Participação musical de Carlos Zens

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