País esnobe

Por Ruy Castro
FSP

RIO DE JANEIRO – Em 2011 teremos o centenário de muita gente boa da música brasileira -compositores e letristas a quem devemos tanta beleza e alegria na área do samba, do Carnaval, da valsa, do samba-canção, até do fox. Tais efemérides deveriam se estender pelo ano todo, com shows sobre eles por cantores novos e velhos, debates entre especialistas, lançamento e relançamento de seus discos e, quem sabe, biografias e documentários.

Mas, como aconteceu com Noel Rosa e outros que fizeram cem anos em 2010, esses artistas só serão lembrados no próprio dia do aniversário e, mesmo assim, por iniciativa de fãs devotados. Eis alguns.

A 1º de fevereiro, será o dia de Pedro Caetano, autor das obras-primas do samba “Foi uma Pedra que Rolou”, “Onde Estão os Tamborins?” e “É Com Esse Que Eu Vou”, e co-autor de “Caprichos do Destino”, “Sandália de Prata”, “A Dama de Vermelho”, “Eu Brinco”, “A Felicidade Perdeu seu Endereço”. No dia 7, será a vez de José Maria de Abreu, cuja obra vai de valsas como “Boa Noite, Amor” à modernidade de “Alguém Como Tu” e à irresistível euforia de “Pegando Fogo”.

Em março, teremos os cem anos de dois favoritos de Carmen Miranda: no dia 14, o de Synval Sylva (“Adeus, Batucada”, “Ao Voltar do Samba”, “Coração”, “Gente Bamba”); no dia 19, o de Assis Valente (“Minha Embaixada Chegou”, “E Bateu-se a Chapa”, “Uva de Caminhão”, “Recenseamento”, “E o Mundo Não se Acabou”, muitas mais). E, a 23 de maio, será a vez do letrista Mario Rossi, parceiro de Roberto Martins no samba “Beija-me” e no fox “Renúncia”, e de Marino Pinto no bolero (sim!) “Que Será?” (“Da luz difusa do abajur lilás/ Se nunca mais vier a iluminar/ Outras noites iguais…”).

Isto apenas entre os aniversariantes que serão esnobados no 1º. semestre. Mas, até o fim do ano, o Brasil promete superar-se e esnobar Nelson Cavaquinho.

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