Para diretor, força e sabedoria feminina prevalecem

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Divulgação / Logan Marshall-Green (esq.), Noomi Rapace e Michael Fassbender em “Prometheus”, filme que tem parentesco com “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979)

Por Sérgio Rizzo | Para o Valor, de São Paulo

As semelhanças entre “Prometheus”, que entra em cartaz no Brasil amanhã, e “Alien – O Oitavo Passageiro” (1979), com o qual compartilha o mesmo universo (ou mitologia, como preferem os fãs), não se resumem apenas à descoberta de vida alienígena a muitos anos-luz de distância. Em seus cenários futuristas, ambos os filmes – dirigidos pelo inglês Ridley Scott, que também fez “Blade Runner” (1982), “Thelma & Louise” (1991) e “Gladiador” (2000) – elegem dois vilões: extraterrestres ameaçadores e uma terrestre megacorporação (também ameaçadora, à sua maneira).

E ponha megacorporação aí: a fictícia empresa do milionário Peter Weyland (Guy Pearce, de “Amnésia”) investe US$ 1 trilhão na expedição de “Prometheus”, que leva a espaçonave de mesmo nome até um planeta distante onde a origem da humanidade talvez seja explicada. Não há como saber o que a inflação terá feito com esse valor em 2093, quando é concluída a viagem ao planeta LV-223, mas convém imaginar que continuará a ser muito dinheiro: a Weyland Industries sugere uma versão anabolizada das multinacionais de hoje. Versão multiplanetária, de fato.

O trilionário aparece envelhecido no filme, mas um Weyland ainda jovem, em 2023, é apresentado em um vídeo de três minutos feito para circular na internet como um trailer (e que Luke Scott, filho de Ridley, dirigiu). Nessa curiosa e inventiva peça promocional, o personagem apresenta a uma grande plateia de acionistas – impossível não lembrar de Steve Jobs em eventos da Apple – o projeto TED, que envolve tecnologia capaz de criar androides à imagem e semelhança do homem. “O que nos leva à conclusão de que agora somos Deus”, diz ele. “Vocês me conhecem e sabem que minha ambição não tem limites. Se me apoiarem, eu gostaria de mudar o mundo.”

Deuses e homens, inteligência artificial, ambições desmedidas, o limiar de uma nova era: esses ingredientes são combinados em “Prometheus” na melhor tradição da ficção científica (e com uma atenção especial para que as peças da trama sejam encaixadas às de “Alien”, cuja ação é ambientada mais tarde). O cuidado com a plausibilidade tecnológica cria um ambiente verossímil; apesar dos artefatos futuristas, seres humanos e empresas continuam a se comportar tal como os conhecemos (a Weyland, por sinal, é a mesma empresa que explora e engana os tripulantes do cargueiro espacial de “Alien”).

Já a abordagem mística – inspirada na premissa de “Eram os Deuses Astronautas?”, best-seller do suíço Erich von Däniken – atribui à história um caráter espiritual. A ponte entre esses dois mundos, o da ciência e o da religião (ou do misticismo), é feita pela personagem principal, uma pesquisadora (Noomi Rapace, da trilogia sueca “Millennium”) que corresponde, em chave mais frágil e delicada, à vigorosa Ripley (Sigourney Weaver) de “Alien”. Os dois filmes de Scott coincidem também nisso: a força e a sabedoria feminina prevalecem. Que as mulheres não se iludam, porém. No cinema, isso também significa proporcionar estratégicas cenas de nudez.

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