Para disfarçar tristezas de dezembro

Para mascarar momentos difíceis e abocanhar algumas lascas de tempo, deixo com vocês poesia do poeta dos mares calmos de Macau, Gilberto Avelino. São palavras com gosto de maresia e caju; palavras de dezembro, que soam alegres, boas para o instante:

Na piscina

Aquém do mar,
a piscina
de águas azuis.

As sombras,
os ventos,
as mesas,
brancas,

circulando
a piscina.

A suavidade
da água de cocos.
Ou o doce e fino
sabor
da água das fontes,

após
comer-se
a leve gordura dos cascos,
a clara carne
das patas
dos vermelhos
caranguejos cozidos.

Ainda,
a carne seca,
assada nas brasas,
flamejando.

Em copos de cristal,
a tênue espuma
do vinho
branco
ou tinto,

com verdes-azeitonas
boiando.

Enterneciam a manhã
os blues
de Louis Armstrong.

Aquém do mar,
a piscina
de águas azuis.

De repente
vinhas,
a davas ao corpo
a carícia das águas.

Com o exíguo vestir,
em relevo expunhas
ao sol

o viço
da inapagável beleza
do teu corpo.

E do olhar
nasciam-me
salsas enlaçantes.

Não te esqueças,
portanto,
girassol de dezembro,

de que sempre volto
a ver
o azul dessas águas.

(Gilberto Avelino)

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

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