Para quem só gosta de auto-retrato

Por Alexandre Vidal Porto

Outro dia, em São Paulo, saí com um grupo de quatro pessoas, das quais eu só conhecia uma. Quando perguntei onde íamos, uma das pessoas que eu não conhecia me respondeu: “vamos a um restaurante bem legal, um lugar super diferenciado“.

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Comments

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  1. Jarbas Martins 9 de Maio de 2012 22:58

    Conheci um talentoso artista plástico e professor, falecido há não muito tempo, e de quem muito pouco tenho ouvido falar: Tarcísio Mota. Foi professor da antiga ETFR, e colega e amigo do pintor Tomé Filgueira. A quem não poupava, vale salientar, com histórias hilárias inesquecíveis. Que um dia transcreverei aqui. Além das artes visuais que profissionalmente praticava, Tarcísio se dedicava a outras artes com o desinteresse e a ludicidade de um dândi: a conversação, a anedota ( onde a teatralidade tinha uma função dominante) e a imitação. Fazia caricaturas com palavras e gestos. Se tivesse se dedicado ao humor, não tenho dúvida – seria, merecidamente, o reserva de Chico Anysio. Conheci-o nos tempos da Livraria Universitária, apresentado por Luís Damasceno, com quem rivalizava na arte de falar da vida alheia. Conta-me Manoel Onofre Jr., até agora o único a escrever sobre Tarcísio Mota (“Simplesmente Humanos”, ed. Sebo Vermelho, 2004), que alguém perguntou ao nosso dândi de porta de livraria – quem falava mais da vida dos outros. Ele, Tarcísio, ou Luís Damasceno ? Sabedor que Damasceno sofria de um crônica insônia, a resposta veio como pronta: “- Luís, porque dorme menos.” Também era de um sarcasmo ímpar quando falava de si. Não poupava traços nem tintas cruéis, em seus auto-retratos. Certa vez confidenciou a Manoel Onofre que era mais vil, indigno e pecador do que Judas Iscariotes. Acabara de vender um Cristo por menos de trinta reais.

  2. João da Mata
    João da Mata 10 de Maio de 2012 10:58

    Jarbas, tb escrevi sobre o grande Tarcísio Motta Dono de um verve humoristica sem par em nossas terras áridas.

    Tarcísio José Barroca da Motta
    5 de julho de 2010 às 13:50 – Comentar
    Por João da Mata

    VII – Personalidades da Cultura do Rio Grande do Norte

    Tarcísio Motta nos deixou há pouco tempo e os seus rastros ainda são sentidos na sua cidade Natal. Um grande colecionador deixou um vasto acervo cinematográfico e artístico espalhado nos sebos de uma província que teima em não preservar sua memória perdida no pó das sombras encardidas e opacas por uma realidade que não se deixa ver.

    É sempre assim: morre o guardião e o seu mundo é dissolvido por aqueles que não participaram daquele grande ritual que é formar uma coleção e preservá-la ao longo de toda uma vida.

    A dor é maior quando esse colecionador também é um artista. Tarcísio Motta trabalhou com serigrafia e foi um grande desenhista publicitário. Era um exímio desenhista em bico-de-pena. Fez muitas ilustrações para obras científicas, apaixonado que era pelos dinossauros e Egito Antigo.
    Colecionador inveterado e indisciplinado. Gastava mais do que podia como todo colecionador compulsivo. Comprava armas, capacetes do Exército alemão e foi um dos maiores colecionadores de cinema do Brasil. Correspondia-se com colecionadores no Brasil inteiro. Possuía uma enorme coleção de livros em vários idiomas relacionados com o cinema e as artes em geral. Com destaque para aqueles livros que ensinavam técnicas de como trabalhar as várias expressões das artes manuais, artesanais e eruditas. Cromos e cartazes faziam parte de seu acervo maravilhoso. Milhares de fitas VHS, revistas e outros objetos relacionados com a sétima arte. Um curioso eterno. Um maluco beleza.
    Irreverente e de um humor caustico e corrosivo. Apelidava todos os amigos e conhecidos. Abimael era Abigail. Dom Inácio, ele chamava Dom Inácio de Boyola. Ninguém ficava imune aos seus chistes e blagues. Um fumante inveterado muitas vezes foi expulso da livraria por estar liberando a fumaça que espiralava feito seu eterno buscar e ensinar.
    Faleceu com menos de setenta anos deixando um vazio imenso no coração da cidade. Saudades meu amigo. Dorme em Paz.

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