Para todos

As medidas que vêm sendo tomadas pelo governo golpista, não deixam dúvidas: privatizações na saúde e educação; diminuição de recursos públicos para universidades; fim de sérias e sólidas instituições como o Ministério da Cultura e Controladoria Geral da União; flexibilização de direitos trabalhistas como décimo terceiro salário e férias, dentre tantas outras atrocidades. Tudo isso é uma tentativa clara de realizar o Estado mínimo. De retirar forças do poder estatal e as entregar ao mercado, inclusive direitos públicos e universais. Só não vê quem não quer. Ou vê e concorda porque, na real, tem gente que não dá a mínima para justiça social. Tem gente que orbita em seus próprios desejos e prescindem de qualquer tipo de empatia pelos direitos dos outros, especialmente dos mais pobres.

A PEC 241 apresentada pelo governo golpista propõe cortes drásticos no orçamento das políticas sociais, as quais funcionam como uma espécie de cobertor para os que não fazem parte do topo da pirâmide. O governo golpista não quer só encurtar esse cobertor, mas retirá-lo das pessoas deixando-as vulneráveis. Expostas ao frio nefasto das políticas clientelistas e de balcão que alimenta há tantos anos a corja de corruptos, elitistas e que se locupletam com a miséria alheia. O jogo é pesado, caro leitor. Há quem acredite, inclusive, que até o mais abnegado e bem intencionado, que se aproxima através de cargos eletivos das instituições políticas brasileiras, é sugado para esse mar de lama e roubalheira. O jogo é também sujo. Os interesses por trás das canetadas, reuniões de gabinete e declarações midiáticas estão sempre escamoteando algo espúrio, seja ele financeiro, seja ele de perpetuação nos espaços de poder.

Mais grave no processo democrático que impedir que as pessoas se manifestem livremente durante as Olimpíadas 2016 contra um Governo que não as representa é, na calada da noite, votar leis que irão entregar o Estado nas mãos do capital. É tentar enfraquecer os movimentos sociais que conseguiram vez e voz no governo anterior. E olhe que acho que o que foi feito foi muito pouco. Mas ao menos foi feito. É querer perpetuar nas cadeiras públicas velhas bundas despudoradas em probidade sedentas de poder.

Enquanto isso, boa parte da população assiste ao jornal nacional e depois Velho Chico. Enquanto isso, poucos se apercebem que a democracia está coxa. Enquanto isso, a democracia representativa que ainda está longe de ser o modelo da democracia participativa dá sinais de fraqueza. Afinal o brasileiro acha que ir às urnas é o suficiente. Não é. Votar é só o pontapé para a construção de um bem comum. Porque a vida ensina que coisa boa só é boa mesmo quando é para todos.

Jornalista formada pela UFRN desde 2000. Trabalhou em veículos como Diário de Natal, Mult TV!, Novo Jornal, Tribuna do Norte e em assessorias de comunicação e imprensa política durante muitos anos. Em 2013 lançou pelo Caravela Selo Cultural o ensaio biográfico, "Navarro - um anjo feito sereno", editado em 2014 pela Edufrn. Atualmente é jornalista free-lancer. Fanpage: bichoesquisito; insta @bicho_esquisito [ Ver todos os artigos ]

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