Parabéns, inesquecível Mestre!

Por José Carlos Freire

Um dos maiores diretores de um cinema pessoal, engajado em uma linguagem social e extremamente baseado na estética clássica japonesa.

Os seus filmes trazem pouco divertimento, mas são inesquecíveis.

O ritmo deles é lento e cansativo para ocidentais acostumados com as pedras rolantes em Indiana Jones.

Quase todos não saem mais da nossa memória afetiva e ficaram na história do cinema, porque só melhoram a cada nova leitura, a cada novo olhar.

VIVER, de 1952, é uma das pérolas. Um funcionário público burocrata se descobre com um câncer de estômago em estágio final e decide usar o pouco tempo que lhe resta para construir uma praça em cima de um lixão da periferia miserável.

DODESKADEN (foto), de 1970, retrata diversas vidas numa favela. O Japão e os financiadores dos seus filmes não gostaram do que viram. Como disse Caetano, “é que Narciso acha feio o que não é espelho.”

Levou 5 anos, uma tentativa de suicídio e o apoio de gente como Martin Scorcese, para conseguir continuar a carreira com o nocauteador DERSU UZALA, a história da amizade entre um militar russo topógrafo e um siberiano habitante das tundras.

RAN é tão plasticamente exuberante que cada cena parece saída de uma pintura renascentista.

TRONO MANCHADO DE SANGUE é sua versão de MACBETH, de Shakespeare. A cobiça humana levando à mais rasteira crueldade, em uma versão cheia de violência. Mas, um sangue totalmente diferente das besteiradas de horror dos tempos modernos. Um sangue que nos faz refletir sobre a condição de seres vivos.

Deixou a admiração perpétua em todos os amantes de cinema, especialmente entre os outros diretores.

As edições brasileiras em DVD pela Continental são lastimáveis. DODESKADEN consegue ter uma imagem granulada até num DVD player portátil de 8 polegadas !!! As da Europa, 20th e outras são um pouco melhores, mas ainda deixam muito a desejar.

Esperemos uma remasterização em Bluray e discos repletos de extras, no futuro.

O livro de DONALD RICHIE, que tem edição brasileira, é o melhor sobre sua obra.

Parabéns, inesquecível Mestre!

Obrigado!

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