Pátrilhota

Por Ednar Andrade

Sinto inveja da Lua Que mergulha naquele mar; Banha-se na lagoa. – Ai como quisera agora estar… Ao frescor desta noite Mirando, sentada na grama, O canto de alguma coruja Ou o piar de algum pássaro Perdido que, distraído, caiu do ninho. Como quisera eu agora, Na penumbra do terraço Olhar pro chão e ver o bordado De prata com os efeitos da Lua.
Como quisera sentir o cheiro Do mato, o arrepio do frio, A solidão da sala, a luz apagada. Como quisera neste instante voltar Como num filme a vida mansa, Ter a presença dos que já não tenho; Ouvir do cão, o latido. Aquele cão, tão pequenino, Que cuidei como menino. – Ai como minha alma sofre E sente e quer a felicidade Que o destino levou de mim de forma bruta (meu irmão e meu pai). -Ai como gostaria de armar a rede e cantar Até que um certo anjo adormeça em meus braços (Julinha). Um anjo magrinho, de braços longos, olhos pretinhos, Cabelos lisos e da cor do Sol e sorriso belo. Ali, no mesmo lugar, onde vi crescer o meu anjo Gabriel – Ó Lua, tu que me vistes nua! – Ó vento, tu que trouxestes em teus redemoinhos O perfume das flores silvestres, Vem nesta noite para meus sonhos E me faz crer que a felicidade continua. Que o meu sofrer nada tem de verdade; Que tudo isso é só saudade e que logo vai amanhecer.

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