Patrimônio cultural de Natal

Depois de um bom tempo volto a alugar filmes na Laser. O agitado e prestativo Rodolfo, que conhecia os gostos dos cinéfilos, não está mais lá. Faz uma certa falta. Era quem limpava os cabeçotes dos vídeo-cassete dos clientes nos velhos tempos. Em compensação, Fátima, a dona, está mais presente e também conhece muito sobre filmes e os gostos dos antigos frequentadores.

Acredito que a locadora detenha hoje, disparado, o melhor acervo do Rio Grande do Norte. Com a pirataria, o movimento caiu. Gosto da tranqüilidade atual do ambiente, poder demorar um bom tempo escolhendo um filme. É um exercício que melhora bastante a nossa memória cinematográfica porque vão passando por sua vista filmes e mais filmes que você assistiu nem sabe mais em que ano.

Alguns você até tem dúvida se já assistiu ou não. Como foi o caso do filme argentino “A Janela”, que peguei no final de semana. Levei pra casa, mas com uma sensação de que poderia ter assistido. O que não se confirmou. Um filme que reafirma a boa fase do cinema argentino (boa fase que perdura há um bom tempo, frise-se).

Entreguei ontem e nem ia alugar outro filme porque durante a semana é complicado para assistir, dou preferência às leituras. Mas chegaram alguns bons lançamentos, não resisti e levei “Gigante”, produção uruguaia, que ganhou vários prêmios por onde passou. Na verdade eu nem tinha prestado atenção que era uruguaio, só quando começou foi que percebi isso.

A Laser é uma das poucas boas locadoras, senão a única, que resistiu à pirataria na cidade. Os assaltos constantes e a pirataria levaram ao fechamento da filial, na Romualdo Galvão. Ficou a da Prudente de Morais, que tem uma presença cultural marcante na vida de Natal, uma história muito bacana pra contar, por ali passaram gerações de cinéfilos e intelectuais, desde o poeta Luís Carlos Guimarães, até as novíssimas gerações como meus sobrinhos Auana e Tainã.

Torço pra que não feche nunca. Devo muito a essa locadora.

Leia mais sobre Gigante aqui e sobre “A Janela” aqui

(TC)

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