Paul: um apaixonado…

Uma delícia acordar devagarinho num domingo de sol em Natal e botar pra rodar (com o cheiro do café invadindo o quarto) o novo CD de Paul McCartney, Kisses on the Bottom (“Beijos no Traseiro”, em tradução livre).  Mas,  já aviso aos navegantes e aos beatlemaníacos que não devem procurar uma obra-prima ou revolucionária (como alguns sempre esperam do gênio), mas um disco equilibrado, harmonioso, de um cara maduro e apaixonado mais uma vez.

E um disco de Jazz. Do mais puro e confiável Jazz.

Paul, dessa vez, fugiu ao padrão pop-rock de seus vários discos de carreira pós-Beatles (é sabido que também tem obras no campo da música erudita) e, despojando-se de maiores  ou menores compromissos com o sucesso (que já tem de sobra) e apelos fáceis às multidões, trouxe um belo rebento jazzístico, com standards e covers de canções dos anos 20, 30 e 40. Algumas delas ouvia na casa dos pais, na infância e adolescência.

O disco é elegante, possui o charme do Sir James Paul McCartney, um senhor incansável, simplesmente o maior compositor de música pop de todos os tempos. E ainda traz um auxílio pra lá de luxuoso, como a participação dos amigos Eric Clapton, em acompanhamento ao violão, e Stevie Wonder, que toca gaita em “Only Our Hearts”.

Diana Krall também está (ao piano e em arranjos) no CD produzido pelo importante Tommy LiPuma. John e Buck Pizzarelli também fazem parte do time magnífico que interpreta 12 standards de compositores célebres como Harold Arlen, Johnny Mercer e Irving Berlin e   duas faixas inéditas do próprio Paul: “My Valentine” e “Only Our Hearts”.

Bom lembrar: quem quiser vai poder ver Paul ao vivo aqui pertinho, em Recife. Os shows estão confirmados para os dias 20 e 21 de abril deste ano (segundo eu li por aí).

Ah! Por sinal, na mesma semana, Recife recebe Chico Buarque de Hollanda para uma série de shows.

O maior músico pop do mundo e o maior compositor vivo do Brasil na mesma cidade e na mesma época. É mole?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 18 de julho de 2012 6:31

    É triste, mas morreu meu Maharishi.

  2. Lívio Oliveira 18 de junho de 2012 20:11

    Antes que o dia acabe, viva Paul McCartney e os seus setentanos!!!!

  3. Lívio Oliveira 18 de março de 2012 15:53

    “Nada é, tudo se outra”. (Fernando Pessoa)

  4. Alex de Souza 18 de março de 2012 11:30

    Pra você ver como gosto é troço esquisito: pra mim, esse disco de mr. Paul, que só faz coisa boa de umas 2 décadas pra cá, é muito do chato.

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