Peça “Por Que Paris?”, do Grupo Carmin, estreia esta semana na Casa da Ribeira

Essas foram algumas das perguntas que se fizeram ecoar no processo de um ano e meio de montagem da peça “Por Que Paris?” do Grupo Teatro Carmin (“Jacy”, “Pobres de Marré”), que estreia nesta quinta-feira (23), na Casa da Ribeira, em Natal/RN. A obra foi patrocinada pelo edital SESC Artes Cênicas 2014, co-patrocinada pelo Cemitério e Crematório Morada da Paz, com o apoio da Casa da Ribeira, FM Universitária e 214 pessoas que patrocinaram via financiamento coletivo Catarse.

A mulher centenária em questão é Marguerite Duras (1914 – 1996), escritora indochino-francesa polêmica e apaixonante, que teve como obra mais emblemática o romance “O Amante”. Sua vida e obra foram apresentadas ao grupo Carmin pelo especialista Laurent Camerini.

“Por Que Paris?”
Ao entrar em contato com a vida e obra de Marguerite Duras, o Grupo Carmin descobriu forte relação entre seu trabalho de pesquisa em teatro documental e a linguagem usada pela escritora, que mistura ficção e realidade. A trajetória de vida de Duras, em muitos aspectos, também se assemelhou com a vida das atrizes Quitéria Kelly e Adelvane Néia.

“Ficamos emocionadas ao ler ‘O Amante’ e descobrir que nossas escolhas e fugas tinham muito a ver com aquelas que Duras teve de fazer nos anos 1930,” disse Quitéria Kelly, atriz do Carmin.

A peça escrita pelos dramaturgos Pablo Capistrano, que também integra o grupo, pelo inglês James Edward Bailey e com participação de Henrique Fontes e Quitéria Kelly, foi construída inicialmente fazendo um recorte das vidas de Marguerite e das atrizes Quitéria Kelly e Adelvane Neia. Muito material foi levantado e a referência mais forte que as unia era a busca por um lugar que comportasse os sonhos. Paris, que historicamente tem acolhido intelectuais e artistas do mundo todo, foi a cidade denominada como o lugar destino para esses sonhos e essas mulheres.

“Mas essa Paris do sonho, onde as vidas da escritora e das atrizes se encontram, também é um palco, onde as questões que envolvem a arte de fazer teatro se misturam com os conflitos políticos de nosso tempo,” disse Pablo Capistrano, dramaturgo do Carmin.

Assim, durante a montagem, a pergunta “Por Que Paris?” também fez sentido em relação a fatos do cotidiano do Brasil e do mundo. Num momento em que vivemos um colapso de ideologias e valores, onde tragédias se banalizam na TV e a vida é só algo que fazemos quando o smartphone descarrega, a pergunta que ecoou dentro do Grupo Carmin foi: “Por Que Teatro?”. Será que essa arte ainda faz sentido? Ainda há lugar para idealização? Que teatro interessa quando qualquer história está ao alcance dos polegares?

“Não queremos necessariamente responder a essas perguntas, mas de alguma forma, sob a luz provocativa de Duras, ecoá-las e seguir investigando um modelo de teatro em que acreditamos. Sem esquecer de compartilhar com o público essas dúvidas, que são legítimas e que nos acompanham diariamente na sala de ensaio,” disse Henrique Fontes, diretor do Carmin.

A montagem
Continuando a pesquisa no gênero documental, o elemento audiovisual, introduzido pelo cineasta Pedro Fiuza em “Jacy” (2013), continua em cena, dessa vez sendo experimentado de outras formas e construindo dramaturgias. O elemento dialoga também com a obra cinematográfica de Duras.

“Sempre partimos do princípio de que o audiovisual deve dialogar com a cena sem virar cenário ilustrativo ou meramente didático, ele também cria a história e amplia as questões levantadas,” disse Pedro Fiuza, Cineasta do Grupo Carmin.

O financiamento
A montagem do espetáculo “Por Que Paris?” foi orçada em R$ 45 mil, conta com patrocínio do edital SESC Artes Cênicas 2014 e do Morada da Paz. Para complementar o financiamento, o Grupo Carmin lançou uma campanha no catarse.me/pqparis e em 60 dias atingiu um recorde na captação colaborativa no RN. Inicialmente o grupo havia proposto R$ 15 mil, mas ao final do prazo foram captados R$ 16.267,00 de 214 colaboradores.

“Ficamos muito empolgados com o resultado da campanha. Nosso compromisso com o público se mantém e nossa responsabilidade aumenta”, disse Daniel Torres, Produtor do Carmin.

Com apoio da FM Universitária e Casa da Ribeira, Por que Paris? estreia nesta quinta-feira (23) na Casa da Ribeira, seguindo em temporada até dia 26/07, sempre às 20h. Ingressos a R$30,00 (inteira) e R$15,00 (estudante).

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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