A “pequena” Cuba e o “grande” Brasil

Não vou discutir rinchando sobre a Revolução cubana e seus resultados. Primeiro, Cuba fez uma revolução. O Brasil só faz golpes. Segundo, Cuba deixou de ser um balneário da putaria dos Estados Unidos, para transformar-se num país. Pobre, isolado, mas uma Pátria.

O Brasil aliou-se, militarmente, com apoio civil, desavergonhadamente ao processo de desmoralização da Democracia na América Latina. A ditadura cubana de Fidel merece repúdio. E as ditaduras cruéis do Brasil, Argentina, Chile, Bolívia e outros merecem o quê? Aplauso? Cuba teve uma ditadura sob o controle de um revolucionário que arriscou a vida para implantar uma Pátria.

Qual ditador de merda do Brasil arriscou o quê? O que arriscou Castelo Branco? Esperou o resultado do golpe para assumir o poder. Prometeu eleições e mentiu. O que arriscou Costa e Silva? Nada. Mobilizou os quarteis e manteve o poder ditatorial.

Depois, Médici. Que não ria pra não mostrar o sangue dos torturados nos dentes. E os seguintes, Geisel e Figueiredo, farsa de estadistas. Exílio, assassinatos, torturas. Um filho da Dinamarca pode esculhambar Fidel Castro. Ou da Noruega. Ou da Finlândia.

Mas filho do Brasil não tem autoridade histórica pra falar mal de Fidel Castro. Só poderá fazer isso quando fizer uma Pátria. Fidel Castro fez uma Pátria. E disse: “Hoje à noite, milhões de crianças dormirão na rua; nenhuma delas é cubana. Amanhã de manhã, milhões de crianças não terão escola para irem; nenhuma delas é cubana”.

Quando esse Brasil “grande” poderá dizer o mesmo?

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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