Performance e tradições clássicas

Amigos e amigas:

A performance de Pedro Costa, registrada na notícia sobre o Salão de Artes Visuais, pertence a uma linhagem clássica da modernidade que remonta, ao menos, a Man Ray (a bela fotografia “La prière”, de 1930, que pode ser localizada em qualquer site dedicado a esse autor) e a uma montagem do Teatro Oficina, a partir de texto de Antonin Artaud, “Para dar fim ao juízo de Deus” (um ator defecava em público, recolhia a matéria em pequena urna de acrílico, que circulava de mão em mão), sem esquecer do “Soneto do olho do cu”, de Rimbaud e Verlaine.

Certamente, é difícil comentar uma performance a partir de descrição e fotografia. Tive a impressão, sem assistir ao ato, que a cena foi superior a sua explicação pelo artista – excessivamente didática, apelando para lugares comuns. E um terço saindo do ânus é diálogo entre as partes: sacralização do órgão humano, humanização do objeto sagrado. Prefiro não reduzir a cena a uma visão degradada do ânus nem a uma visão degradante do objeto ritual religioso. Melhor encarar a humanização de tudo naquele íntimo encontro: o ânus como fonte de tudo.

Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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