Pergunte ao pó o mar virou

O mar o mar o amar secou. Virou pó. Virou sertão. Quem é do mar enjoou.
Filho de peixe nem sempre peixinho é. O compadrio ainda reina na Jerimulãndia. A troca. O escambo. A esculhambação.

Rio grande sem sorte como poetou meu amigo Bosco, grafado/ garfado com hífens e sem hífens. Aqui os clássicos não têm vez. A estética é duvidosa. O grande poeta do mar e do canto molhado é preterido em prol do oficioso ofício de viver em terras tão áridas.

No mais, no mar só cantar á essa gente rude o meu canto triste. Não desisto. Continuarei escrevendo aqui e ultramar. Não tenho dotes. Tão pouco peço votos. “Desde menino o mar fez-me assim”.

Vivi o grande ciclo das praias dos Artistas, Miami e Forte. No dentão coloquei dinamite. No Forte quase morri como Zila. No Fortaleza participei de festivais e tive medo de andar por sua saia murada em manhas de sol. Cantei Dorival com os meus queridos amigos e amigas na praia dos artistas. Joguei frescobol com meu primo Sérgio, depois de trabalhar ambulante na feira das Quintas.

Em pequeno ia com meu pai de Gordini alugado para explorar as cavernas e curvas de uma Areia Preta bucólica. Alugava calção. Namorava por tabela. Depois a caminhada de Miami a Ponta Negra quando ainda não havia a costeira. Antes, no Iara Bar, podia tomar uma a qualquer hora dos Dias e depois namorar á milanesa na loca do amor.

Esse é o meu canto. Essa é a minha história que ninguém tasca.

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