PF agora indicia por intuição!

haddadQuando se pensava que as acusações e condenações sem provas, respaldadas tão somente nas convicções de procuradores, policiais e juízes, seriam o máximo que o aparato político-jurídico-policial em ação no Brasil poderia produzir, inventou-se agora a acusação baseada na “intuição policial”. É o que vem explicitado no indiciamento do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, pela Polícia Federal, de crime eleitoral na campanha de 2012. A PF apresentou documentos que demonstrariam o recebimento de Caixa 2, mas não provam a participação direta de Haddad no crime, como a lei exige. Baseando-se em um vídeo de 2016, no qual Haddad, depois das eleições, pede doações à militância pela internet para cobrir dívidas dessa campanha, o delegado da PF João Luiz Moraes Rosa, responsável pelo inquérito, tasca:

“Embora referido vídeo não faça prova cabal de que FERNANDO HADDAD possuía ciência do montante total dos valores relativos à prestação de serviços da empresa gráfica LWC, no pleito de 2012, porque diz respeito à campanha de 2016, constitui significativo elemento indiciário de que o candidato a Prefeito em tela tem (…) pleno conhecimento de quem foram os prestadores de serviço de sua última campanha eleitoral, bem como os respectivos valores dos serviços contratados. Ora, se assim ocorreu em relação ao pleito de 2016, é intuitivo que também tenha ocorrido em relação à eleição de 2012.” (Grifos meus.)

É mais uma das incontáveis demonstrações do estado de exceção kafkiano vigente no Brasil e ocorre num momento estratégico: às vésperas da condenação (alguma dúvida?) de Lula em segunda instância, dia 24 próximo, pelo TRF da 4ª região.

No mesmo dia (15/01/2018) a PF anunciou a abertura, no âmbito da Operação Lava-jato, de novas investigações com base na famosa delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, em que o senador Romero Jucá foi flagrado explicando o golpe em andamento (“Com Supremo e tudo”) e envolvia altos figurões do PMDB e do PSDB, inclusive o senador Aécio Neves, lembram? Pois os novos inquéritos da PF envolvem apenas políticos do PT: os ex-ministros petistas Ideli Salvatti e Edson Santos e os ex-deputados Cândido Vaccarezza e Jorge Bittar, além de Henrique Eduardo Alves (PMDB), já preso.

Seria coincidência que o PT seja novamente fustigado em momentos politicamente cruciais, como agora, quando o partido prepara uma mobilização para se contrapor à crônica de uma condenação anunciada?

Como teria sido coincidência a condução coercitiva de Lula sem justificação, apenas nove dias antes das passeatas pró-impeachment de março de 2016?

Ou as prisões, em ações espetaculares, de duas das mais altas figuras do PT, ex-ministros dos governos Lula e Dilma  — Mantega, no dia 22 de setembro e Palocci, no dia 26, uma semana antes das eleições municipais de 2 de outubro de 2016?

Você acredita em coincidência? E em Papai Noel?

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