Pickpocket, ou a arte sedutora do crime

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Assisti hoje, em DVD (Coleção Folha do Cine Europeu), ao clássico filme Pickpocket, ou “O Batedor de Carteiras” (1959), do cineasta francês Robert Bresson (1901-1999).

Impressionou-me a sutil maneira como Bresson, com referências evidentes transportadas do romance “Crime e Castigo”, de Dostoiévski, exibe o lado sedutor que se associa, vez ou outra, ao cometimento de crimes.

O personagem principal – uma face parisiense e cinematográfica de Raskolnikóv – com seus “dons” quase artísticos e bem arrogantes de surrupiar a bolsa alheia, demonstra um aspecto delicadamente táctil e sensual da prática que desborda da lei.

Fiquei pensando se esse aspecto sensual, beirando mesmo o erótico, é o que move meio mundo lá de Brasília e de lugares não tão distantes.

De qualquer sorte, vale salientar: o minimalismo estético de Bresson é algo que vale a pena revisitar, atual como nos parece.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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