Pílulas para o silêncio

(PARTE III)

Do mar, hei de herdar o silêncio das profundezas. Dos rios, o silêncio agourento dos remansos. E, das cacimbas, rasas cacimbas, a turbidez da verdade nunca desvelada.

***

Que o rodo do tempo remova esse balseiro de dogmas que entopem o rio do aprendizado de nossa gente.

***

Quando, passados dez anos, o filho resolveu voltar, o pai já havia sumido. Pelo menos um caso em que não prevaleceu a parábola do filho pródigo.

***

Diálogo de dois pretensos poetas da nossa província.
— O poema livre me deixa mais livre, sabia?
— Profundo. Muito profundo.
— Essa coisa de rima não casa bem com o pós-moderno.
E os dois ficaram calados, a fim de ouvirem, embevecidos, um poeta popular que declamava o seu improviso agalopado no calor da rua.

Clauder Arcanjo — Escritor
clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Alice N. 1 de setembro de 2011 10:03

    Adorei! Mas nem todo (pretenso) poeta pós-moderno rejeita os versos rimados, né…

  2. Anchieta Rolim 1 de setembro de 2011 9:40

    Muito bom Cláudio, muito bom mesmo!

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