Pílulas para o silêncio (PARTE I)

Passou a ouvir tão bem que falava cada vez menos, e sentia cada vez mais.

***

Certa noite, dirigiu os olhos para o espelho que luzia dentro de si. Quando menos percebeu (com êxtase e espanto), deu por conta que reescrevia as suas “inabaláveis” certezas.

***

Acordou e sentiu um acre sabor na boca. Escovou os dentes, e o travo não se lhe abrandava. Mastigou chicles de menta e hortelã… nada, nada.

Quando chegou ao emprego, o bafo do chefe, a vomitar despachos e recalques sobre a sua mesa. “Eis a mais fiel tradução!”; arrematara.

***

Diálogo de dois pretensos sábios da nossa província.

— Adorei o novo livro de…

— Você já o leu?

— O suficiente: a orelha e as duas primeiras páginas.

— Pois a ele tenho reservas: detestei-o só vendo-lhe a capa.

clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

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  1. Jarbas Martins 17 de agosto de 2011 6:28

    essenciais

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