Pílulas para o Silêncio (Parte LXII)

El mundo era tan reciente, que muchas cosas carecían de nombre, y para mencionarlas había que señalarías con el dedo.
Gabriel García Márquez, em Cien años de soledad

Sinete

Marca a tua presença com o sangue turvo da tua voz. Se, por acaso, a garganta te faltar, cuida depressa de rasgar, com a pedra-lâmina da tua memória, o palimpsesto da tua agonia.
Todavia, quem sabe, caso o sangue não ressurja vivo nas veias do teu grito, assinala com teu dedo torto as coisas e obras que — sinete de ti — mais te afligiam e te apeteciam.

***

Uma semana atrás o verso se calou, silente e medroso, dentro do meu peito. E eu fiquei, asmático e afônico, a sofrer, desde então, a falta do ar da poesia.

***

Só se nomina o que se sente. Sem sentimento não há escrita em mim.

***

Trava a porta e vem para a rua. Trava a língua e vem ver o inaudito. Trava a alma e vem sentir a vida, a pulsar sem peias… Só não penses em travar o sonho: este é corcel que, quando cativo, destrava a cancela da vida.

Comments

There are 4 comments for this article
  1. Marcos Lobo 15 de Fevereiro de 2014 19:52

    Clauder, bela poesia.

  2. Pedro Du Bois 15 de Fevereiro de 2014 20:26

    Valeu, Clauder, cada palavra e frase: o estilo cortante com que defende a vida (poética). Abraços, Tânia e Pedro.

  3. Lilia Souza 17 de Fevereiro de 2014 10:06

    Amigo Clauder:
    Belas pílulas! Gritantes e poéticas.
    Fico feliz por você, cada vez que publica seus textos! Eles merecem ser lidos.
    Minha admiração, sempre!
    Lilia

  4. João Helder 16 de Março de 2014 10:02

    Belas reflexões, gritante prosa poética.
    Parabéns,
    João Helder.

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