Pílulas para o Silêncio (Parte LXXVIII)

Nas horas amargas, imagino bolas de safira, de metal. Eu sou o mestre do silêncio. Por que uma aparência de respiradouro desbotaria num canto da abóbada?
(Artur Rimbaud, em Iluminuras)

 

Nas horas amargas…

Nas horas amargas, sonho com imaginações de metal. Após elas, subo nas asas do alado mais tresloucado e afundo-me no céu da amargura, para submergir ainda mais pleno de dor.

Pesado e cansado, durmo, então, sobre as folhas de safira; e consigo, enfim, ouvir o ronco do êxtase dentro de mim.

Eu sou…

***

Eu sou…

Eu sou o que não cabe no cabide da sala, muito menos no cofre do quarto, nem sequer no armário fundo das reminiscências. Eu sou aquele que crê que o melhor ainda há de vir; sofra o que sofrer, dure o que perdurar.

Porque uma aparente…

***

Porque uma aparente…

Porque uma aparente iridescência escorre na pedra do muro ao lado, e eu fico a imaginar a fonte pura da sua origem.

Com os olhos turvos, mas brilhantes e sem limo, cato no horizonte um firmamento impossível, pois os céus estão pejados de certezas cruéis.

Aguardo a alvorada, contudo me falta paciência para a clareza dos arrebóis, e…

***

Iluminuras

Nada no fosso, apenas o vácuo iluminado por um aranzel de dúvidas.

Nada no panteão da glória, tão só a comunhão dos vazios, a orquestra de dúvidas, o arquejar da infausta presunção.

No intervalo do silêncio, num canto, o laborar do fim. Nada mais.

 

clauderarcanjo@gmail.com

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