Pílulas para o silêncio (Parte XII)

Novidades descabidas

Sabe da última? O homem mata o homem, e põe a culpa no destino.
Sabe da novidade? O homem prevê o fim do mundo, e põe a culpa em Nostradamus.
Sabe da derradeira? O homem “adora” velhas novidades, e põe a culpa em… pobres de nós: “malditos poetas-prosadores”.

***

Ontem sonhei com o hoje, e tive pesadelos, velhos e revelhos, com o futuro de amanhã.
Seria eu um precipitado egocêntrico?

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Nos dias de hoje, em casa de ferreiro — devido à santificação da modernidade — espeto não há.

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De Davi, a funda certeza. De Nonato, a não vida. De Jó, a teimosa paciência. De Cristo, a arguta parábola. De Sansão, a paixão por Dalila.
E, de todos eles, a dependência eterna de ser: homem.

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Se o escritor amansar a pena, a prosa fenecerá… e o visgo da vida, indômito por nascença, se fará mero enxame de parágrafos, ao se tornar contido e sem fel na folha posta, e indisposta.

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Diálogo entre dois psicólogos da província.
— Você é um seguidor de Freud ou de Jung?
— De nenhum deles, caro colega. Aqui na província, ao contrário dos grandes centros, nada prescrito por esses dois grandes teóricos funciona.
— Como assim?
— Tenha um pouco de paciência. Nos meses vindouros, publicarei uma obra acerca do Complexo de Jeca Provinciano. Uma revolução nos tratados da moderna psicanálise, acredite.
— …

Clauder Arcanjo — Escritor
clauderarcanjo@gmail.com

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