Pílulas para o Silêncio (Parte LXXIX)

Em silêncio,
cachos seguram as uvas.
(Gabriel Kalinovski Filho, em Gabrielinas)

Em silêncio…

Em silêncio, livros seguram os poemas.
Em silêncio, poemas seguram as estrofes.
Em silêncio, estrofes seguram os versos.
Em silêncio, versos seguram as rimas.
Em silêncio, rimas seguram a melodia.
E, nos versos das estrofes, a vida, como os astros, de luz e eternidade se contagia.
Em silêncio, todavia. Toda a vida.

***

Cachos

Há cachos de espanto na manhã desta cidade. Os homens, cabisbaixos, atropelam o bom-dia do vento; imersos, na corrente da pressa, nem a brisa santificam.
Há cachos de brilho e encanto nos galhos das árvores vetustas. Perfiladas nas calçadas desta grande urbe, elas oram por nós; no entanto, os homens e mulheres, casmurros e maculados, trancam a voz com o cadeado da omissão e, infelizes, não acompanham o cantochão poético da sagração ao dia.
Há cachos de glória e vida em todo recanto e lugar. Até mesmo quando Tânatos se nos instiga.

***

Quando Tânatos se nos instiga…

Quando Tânatos se nos instiga, uns, aziagos, sentam-se na coxia da estrada e, contritos, esperam o lampejo certeiro da foice fatal na condenada garganta.
Outros, benditos loucos e louvados rebeldes, quebram a corrente do Destino… e mergulham nas águas revoltas do oceano fatal. Às braçadas, aguardam a tábua milagrosa que, (in)certamente, só surgirá no horizonte do Ocaso, quase próximo da ilha da Utopia.

***

Utopia

A Utopia se nos afasta, quanto mais nos aproximamos do seu praieiro regaço luminoso.

 

clauderarcanjo@gmail.com

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