Pílulas para o Silêncio (Parte LXXX)

Persignei-me.
Segui.
Alcancei o silêncio,
O silêncio profundo do poeta.
(Dária Farion, em “Altar no infinito”)

O silêncio do poeta

Um poeta, ávido pela inspiração flamejante, esperava. Persignado, em estado de total prontidão. Em meio ao barulho da vida, a poesia, cativa do encanto, não se lhe surgia. E o poeta, temente ao verso, serenamente aguardava.
Outro poeta, grávido da transpiração arfante, entregava-se. Atilado, em estado de total refrega. Em meio ao espanto da lida, a poesia, passiva ao encanto, se lhe insurgia. E o poeta, temente ao milagre da palavra, hauria o silêncio profundo da poesia. Ave, palavra!

***

Atrevo-me…

Atrevo-me a predizer que não haverá vinho, pois não houve a colheita das uvas.
Atrevo-me a anunciar que, hoje, não teremos colheita, porque, ontem, não houve o plantio.
Atrevo-me a asseverar que, amanhã, não teremos plantios, pois os homens, omissos, não sonham mais com a comunhão. Comunhão dos homens, irmanados com o bendito suor do pão e do vinho.

***

Sorte

A sorte castiga quem, avaramente, sonha com a usura do seu butim.

***

A ferrugem do sonho

A ferrugem do sonho se dá no ferro da alma que navega no oceano da maresia da passividade, rumo à Baía da Omissão.

 

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

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