Pílulas para o Silêncio (Parte LXXXIII)

Foto: Ale Rodrigues

Nessa terra mineral
abasteci meus silêncios
com memórias ruminantes,
sinos intocáveis,
cajus frondosos e mel.
(Iara Maria Carvalho, em Milagreira)

Silêncio mineral

Na cacimba das tardes, o assuntar de eras, em cacimbas enterradas. No riacho das noites, o assustar de roçados assassinados. No rio das madrugadas, o assobiar de homens degredados. Silêncio mineral de gerações, de secas infindas, de louçanias exiladas, sem luz e brilho.

***

Milagre

Milagre se dá quando a crença é maior do que a praga, quando a esperança soterra a desventura, quando a coragem espanta o medo.
Milagre se dá quando o milagreiro ousa enfrentar o descrédito da razão e, em especial, a descrente verdade de todos e de tudo.

***

Havia, até antes de ontem, um frondoso aceite. Veio a manhã e clareou o desconhecido.
Havia, até ontem, um melífluo sorriso. Veio a tarde e clareou os dentes sujos da fé.
Havia, até ontem, o sonho franco. Veio a noite e… clareou, ainda mais, o conhecido, limpo e franco sonhar.

***

Não me obrigues a desacreditar de ti. A tua verdade é a tua maior mentira.

 

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo