Pílulas para o Silêncio (Parte LXXXIX)

Há dias de parto. Poucos, mas existem.

Em geral, impera a aridez no útero das horas. Bloqueio do rio de uma genealogia que se vê cortada, ceifados galhos de sentenças-famílias; antes frondosas, contudo, no mais das vezes, prenhes de impúberes palavras-gerações. Em tais instantes, o feto-criação fenece frente ao vazio da vagina dos minutos. E, em tais casos, o corpo-verbo copula, copula… porém em coito de abortadas concepções.
Há dias em que não parto.

***

Obrigado a caminhar, busco a sombra e, inquieto, cavo, na palma das minhas mãos, o mapa de um pretenso objetivo. Sou movido a esperança, mesmo que colhida nas invencionices da loucura.

***

Para que tu queres a quietude, se bem sabes que ela te trará a ferrugem da mesmice para corroer o aço das tuas utopias?
Serena tua ânsia e te deixa consumir! A vida é movida a tragédia, lótus parida no pântano dos desenganos.

clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Tânia Du Bois 9 de maio de 2015 18:09

    Caro Clauder,

    Você continua ótimo!!!
    Abraços,
    Tânia.

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