Pílulas para o Silêncio (Parte LXXXVI)

Para Menalton Braff

Pouso

Cansado, desceu do cavalo e esticou as pernas.
Correu a vista e se deparou com um casebre próximo.
Lá, pensou, ele faria o seu pouso. Depois de doze léguas no sertão brabo.

***

Sossego

Em busca de sossego, prendeu o cavalo no mourão da cerca, tirou o gibão surrado, as esporas, e bateu palma.
— Oi, de casa!
Nada, ninguém.
Entrou, de mansinho, a espiar cada canto. Apenas, um gato magro, uma quartinha de água serenada e duas redes penduradas por detrás da porta.
Amansou o felino, tomou dois goles grandes. Em seguida, armou a rede maior, deitou-se e, pouco depois, já dormia em sono solto.

***

Pouso do sossego

Acordou no meio de tiros e gritos. Apavorado, caiu da rede. Ao levantar, pisou no rabo do gato. Na carreira, chutou, para bem longe, a quartinha. Cacos para todos os lados.
Levou a porta nos peitos. Desembestado, de pé na bunda no meio do mato. Com meia légua, parou e… teve que voltar. “Meu cavalo!”
Aproximou-se, com o maior cuidado; as pernas, um molambo. Numa tremedeira só.
Ao avistar o sítio, reparou, na curva da estrada, numa pequena placa de madeira. Nela, um letreiro: “Pouso do Sossego”.

Clauder Arcanjo

clauderarcanjo@gmail.com

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