Pílulas para o Silêncio (Parte XCIII)

Por Clauder Arcanjo

Ao ir…

Ao ir, ele só pensava na graça do novo. Empolgado com a aventura do inusitado, esqueceu-se de levar, no embornal da memória, a graça da calma. E, apressado, saiu.

Ao ficar…

Antes de se dar por satisfeito com o escolhido, parou e ficou. E, ao ficar, só mirava a suprema glória da rotina, esquecendo-se de permanecer, no bolso das horas, com o perfume da novidade. E, rápido, enjoou de tudo.

Ao voltar…

Ao voltar, reencontrou-se com a ferrugem das velhas, e valorosas, coisas: seu embornal, suas reminiscências, seus lembrados, seus esquecidos, seus fantasmas, o fogo das horas mortas, o silêncio das tardes findas…
E, enfim, consolado, metamorfoseou-se homem.

 

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Neuza Louro 24 de novembro de 2015 17:51

    Adorei… muito bom! Temos que mudar constantemente senão corremos o risco de cair na mesmice e achar tudo chato.

  2. Josselene Marques 17 de agosto de 2015 20:14

    Genial! Parabéns!

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