Pílulas para o Silêncio (Parte XCIV)

Por Clauder Arcanjo

Crise

Tempo de omissão, e de pouca remissão. Os nervos a pulsarem ódio no intestino das veias, no esgoto da garganta, no sepulcro da língua ácida.
No lombo da palavra, os maus modos do matraquear sem motivo; ferindo o dia, varando a noite, besuntando tudo com a gosma do verme da podridão.

Navalha

De tanto espichar os nervos da dor, explode a zanga louca. Pulos, coices, gritos e… uma navalha, afiada e doida, a querer ser símbolo único e maior de justiça.
No chão, empapado com o sangue dos inocentes, a fera rosna e sibila blasfêmias indecifráveis.

Apocalipse

E a fera a se alimentar e a se encorpar com o que trucida e elimina. Faz-se, então, besta-fera.
Com pouco, o apocalipse eclode do ovo da serpente. Serpente que ninguém imaginava que já hibernava, quieta e traiçoeira, no ninho quente e pusilânime dos omissos.

 

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

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