Pílulas para o Silêncio (Parte XCVIII)

Por Clauder Arcanjo

Fora

Fora dos olhos, longe da memória. O desgosto no cangote, ardente; o sonho no horizonte, distante.
Fora dos olhos, remelados de ânsia, batizados com lágrimas de consumição.

Dentro

Dentro do olhar, agora, a longínqua, até então, beatitude do sonhado. Do sonhado, quando, fora de tudo, a língua cantava salmos de esperança, enquanto batia as aldravas da porta do futuro imaginado.

Entre

Entre o fora e o dentro, pouca diferença. A angústia só mudou de sombra.
Fora, o sombreado do sol aberto, pelo menos parte do dia. Dentro, coitado, o carpir ladino da dor assombreada tão só pelo escuro manto da solidão. Por longo tempo, desmemoriado e desprovido do bálsamo da ilusão.
Entre o fora e o dentro, pouca diferença. A angústia só mudou de residência: a portada oca.

Clauder Arcanjo
clauderarcanjo@gmail.com

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