Pinot Noir (O Amor)

pinot noir

Por entre silêncio e súplicas,
Por entre medos, anseios…
É assim a voz do amor,
Da calma, faz tormenta,
Invade as narinas, envolve, aperta,
Sufoca, transgride, sem lei, sem razão.
Vivifica ou mata,
Dispersa, sucumbe, se esvai,
Mora nos becos, no abstrato vão da fantasia.
Sem nome, nem endereço…
Habita na correnteza dos mares mais negros… E sobrevive…
Injeta nas veias doce veneno, destilado tantas vezes em sucos ácidos…
Errante, boêmio, que alimenta os perdidos corações,
Chama divina…
Que nasce no deserto do peito de cada homem…
Vício… Letal… Morfina, indispensável droga que faz sina(fascina)(…)
E a ele rendemos graça, veneramos e nos entregamos,
Com fé mesmo sendo ateu, com delícia mesmo havendo dor.
É ele um pequenino grão: o amor.
Rara semente “Pinot noir”.
A gota d’água
Do perfume, o pequeno frasco, a seiva da vida…
O contar das horas, a canção lenta…
O riso, o pranto, o olhar sem horizonte,
Navio sem mar, velas ao vento debatendo-se em vão…
E perdido neste vagão ninguém é feliz sem sua ilusão…

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 8 de outubro de 2010 14:56

    Minha Amiga ,

    beleza de poema . Ja li umas dez vezes comendo e saboreando essas uvas. As fotos que voce escolhe são muito bonitas. Aquela da praia tava linda. Voce voce que fez? Seus poemas a gente saboreia e fica aquele gostinho de quero mais.

    a{ }s

  2. Ednar Andrade 8 de outubro de 2010 17:24

    Amigo, querido. Obrigada pelo carinho de sempre, que tem tido comigo, pelos elogios.
    Sabes tão bem, quanto eu, que o aplauso, para quem escreve, é a satisfação de quem lê. Então, se consigo deixar alguém satisfeito, fico muito feliz. É porque escrevo o que sinto. Obrigada querido.
    Reconheço que sou bem exigente com a minha escolha de fotos, penso que elas são muito importantes para nos dar asas à imaginação. Concorda?
    A foto da praia é linda (do poema “Trova ao Passado”), obrigada. Ali é o meu quintal. Ali naquele cenário maravilhoso, faço minhas caminhadas no final de tarde. Aquela do poema “Pátrilhota”, por exemplo, é na minha casa. Meu cantinho especial é ali, naquela lagoa. É lá onde esqueço que sou gente e me misturo com os pássaros e com o verde.
    Quem sabe, dias desses, convido o SP para um lual e um vinho na beira da lagoa… Rs… Tenho um projeto, se der certo, envio os convites… Rs
    Beijos querido, um feliz anoitecer.

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