poema cheio de dedos

para nina rizzi

depois de chupar tuas tetas,
quero voltar pra tua boceta, mãe
que neste mundo
não caibo

e és tu o bicho que parirá o pós-humano
mesmo sabendo que este, em teu bucho,
te comerá a começar pelo útero,
mastigará suavemente tuas trompas
com cuidado te lambendo os óvulos,
deitará teu colo entre dentes,
até beijar com afeto os grandes lábios
com os quais tu ditarás novas cartilhas,
uma nova bíblia de despudor e liberdade

serás meu templo
farei meu confessionário
entre tuas pernas
sussurrarei a rota de todos os meus buracos
para que tu também me conheças por dentro

mas não pense que podes me salvar
com um poema
a linguagem não dá conta de minha fome
e neste mundo manicomizado
pra ficar free de freudices…
só papando mamã

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Cláudia Magalhães 2 de março de 2013 13:18

    J é o que preciso sempre ler… sempre!!! Me quebra, querido!, Me tira as pernas… que gosto!!!

  2. Nina Rizzi 20 de julho de 2011 10:52

    Não é mesmo Chico Guedes? rsrs… estou corada como uma mãe virgem. Uma mãe virgem, ó, como é apertada, tal virgindade é cousa demais pra mim, parafraseando Brecht…

    Jota, o seu poema, que deverá ser lido e relido e comentado depois, lembrou-me de cara um filme que adoro: hable con ella; na verdade, o filme freudiano dentro filme “amante menguante”, lembra? então é assim: tu minguas, encho-me 😉

    um beijo e… até sábado, hm?

  3. chico m guedes 20 de julho de 2011 10:34

    olhaí, nina, o que rendeu seu mote sobre o “colinho da mamãe”. =))

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