Poema de verbo

Um dia
um anjo distante
me disse haver
palavras que não foram ditas
ou não foram entendidas.

Acreditei.
Porque na particular Babel
por vezes não decifro
estranhas línguas
vocábulos tropeçados
verbos inaudíveis
turvas expressões.

O solene anjo
não revelou
(a existência de)
fio de Ariadne
ou decifrável caminho
que pudesse compensar
nossa limitada
condição.

O enigma do verbo
quiçá seja
(como enigma)
para perdurar.

Comments

There are 9 comments for this article
  1. Lívio Oliveira 28 de Outubro de 2013 10:55

    Belo poema, David!

  2. David de Medeiros Leite 28 de Outubro de 2013 14:26

    Amigo Lívio, obrigado…

  3. Marcos Silva
    Marcos Silva 28 de Outubro de 2013 19:59

    Muito bom esse poema, auto-reflexivo, instigante. Coisa de anjos e poetas.

  4. Anchieta Rolim 28 de Outubro de 2013 20:08

    Belo poema, David. Aproveito o espaço, para te agradecer pelas palavras no lançamento do livro ” Contagem Regressivva”. Obrigado e um abraço!

  5. David Leite
    David Leite 28 de Outubro de 2013 21:06

    Marcos Silva, você foi na mosca… De quando em vez, é bom tentar estabelecer esse diálogo poético com os anjos…
    Rolim, seu lançamento foi show de bola… Eventos como aquele nos dão força para seguirmos adelante nessa trilha literária…

  6. thiago gonzaga. 28 de Outubro de 2013 23:26

    Muito bom ver e ler um poema do David Leite aqui !
    Seu versos me pareceram, em certo sentido, afinados com os dos simbolistas.
    Mas vão além, pois a linguagem ( e o tema ) são universalizantes.
    O poema tem gosto de infância , de pureza e questionamento, a descoberta das palavras.

    Lembrando que é minha leitura subjetiva do poema, rs.
    Parabéns.

  7. Suely Nobre Felipe 4 de Novembro de 2013 16:40

    Davi

    Um poema bastante! Bem elaborado!
    Abços.

  8. David de Medeiros Leite 4 de Novembro de 2013 17:10

    Thiago e Suely, obrigado!
    Abraços
    David

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