Poema do Sábado

DESASSOSSEGO

Manhã:
A remela da insônia,
No gargalo da memória,
No empunho do chicote,
Na algibeira do remorso.

Tarde:
O cansaço do espantado,
No ir e vir da lembrança,
No cocuruto da pena,
No remascar desta herança.

Noite:
O antojo, desassossego
Nesses olhos embaçados,
Duas mãos senis, tremidas…
No ferro dos condenados.

*********

clauderarcanjo@gmail.com

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. horácio oliveira 1 de novembro de 2011 10:06

    Marcos,

    Não quis dar esse tom de correção, embora ele acabe ressaltando. Gosto muito das letras de canção que você transcreve. Essa de Gil/Torquato é linda mesmo. O jovem Torquato e sua “lírica” pré-tropicalista ou já tropicalista mesmo. E depois não há erro seu, mas um esquecimento involuntário como você diz. Um grande abraço, nos veremos na Flipipa

  2. Marcos Silva 31 de outubro de 2011 22:57

    Horácio:

    Obrigado pela correção. Foi erro involuntário meu (tenho o vinil daquele disco) que exigia sua observação. Ainda bem que vc considera linda essa canção. Apesar de meu erro, sobrou tal lindeza.

  3. horácio oliveira 31 de outubro de 2011 22:13

    Na verdade Domingou é uma letra de Torquato Neto (Não esqueçamos!), de 1967, para uma canção de Gilberto Gil gravada no disco Gilberto Gil (1968). Domingou é lindo. Gil cantando é lindo. Gil engendra em Gil rouxinol.

  4. Leilane Ribeiro 31 de outubro de 2011 18:46

    Clauder talvez seja um dos nossos melhores poetas. Parabéns!

  5. Marcos Silva 30 de outubro de 2011 15:22

    Domingou

    Gilberto Gil

    Da janela a cidade se ilumina
    Como nunca jamais se iluminou
    São três horas da tarde, é domingo
    Na cidade, no Cristo Redentor – ê, ê

    É domingo no trolley que passa – ê, ê
    É domingo na moça e na praça – ê, ê
    É domingo, ê, ê, domingou, meu amor

    Hoje é dia de feira, é domingo
    Quanto custa hoje em dia o feijão
    São três horas da tarde, é domingo
    Em Ipanema e no meu coração – ê, ê

    É domingo no Vietnã – ê, ê
    Na Austrália, em Itapuã – ê, ê
    É domingo, ê, ê, domingou, meu amor

    Quem tiver coração mais aflito
    Quem quiser encontrar seu amor
    Dê uma volta na praça do Lido
    O-skindô, o-skindô, o-skindô-lelê

    Quem quiser procurar residência
    Quem está noivo e já pensa em casar
    Pode olhar o jornal paciência
    Tra-lá-lá, tra-lá-lá, ê, ê

    O jornal de manhã chega cedo
    Mas não traz o que eu quero saber
    As notícias que leio conheço
    Já sabia antes mesmo de ler – ê, ê

    Qual o filme que você quer ver – ê, ê
    Que saudade, preciso esquecer – ê, ê
    É domingo, ê, ê, domingou, meu amor

    Olha a rua, meu bem, meu benzinho
    Tanta gente que vai e que vem
    São três horas da tarde, é domingo
    Vamos dar um passeio também – ê, ê

    O bondinho viaja tão lento – ê, ê
    Olha o tempo passando, olha o tempo – ê, ê
    É domingo, outra vez domingou, meu amor

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