Poemas de Lawrence, Nathália e Nina

Por Nina Rizzi

A indecência pode ser saudável
D. H. Lawrence; trad. José Paulo Paes

A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.

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poeminha manhoso pra me cobrir todinha
nina rizzi

ai, amor, nua não…
me veste de gala…

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POEMA
Nathália Souza, Poemas Devassos e Uma Canção de Amor, Natal, 2006

O leite dos gregos era gala
Gala aqui pra nós
é o leite morno, adocicado,
que os homens nos dão de mamar.
Difícil é engolir esse leite, essa gala.
Não, amor, não dá.

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POEMA
Nathália Souza, Poemas Devassos e Uma Canção de Amor, Natal, 2006

Eu tenho uma cabeça de condessa
Devassa, decapitada
Dois minutos e meio depois da trepada.
Eu tenho um sexo sem nexo
Que se entrega em doces refre-gas
No ar, no mar, na lama,
No vão das escadas e, sim, também na cama.
Ah, eu me entrego, não nego,
A cafajestes, religiosos, estrangeiros.
Aos que sorriem e me dizem:
J’ai t’aime, amore, I love you,
Eu dou meus sonhos, dou meu juízo,
Dou o meu cu.

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canção pra foder nathália
nina rizzi

vou devassar a cona de nathália
a dedos, língua, cruz e souza.

se rapidinho não me demora
subo a sugar seus peitos flácidos, belicosos.

mas, ai, que ela implora
– fica, desce, entra, esconde, enterra, fica!

se afoitos de chupar não esquecemos, ‘inda mais deliciosos
são os vaga-lúmens de seu cuzinho a anunciar os
crepúsculos dos anéis de saturno.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Jarbas Martins 30 de março de 2010 15:26

    Talento é isso aí, virtuose como Nina Rizzi talvez só Manuel Bandeira. Não é que depois que o tufão da paulicéia desvairada desconstruiu o poema processo de Moacy Cirne (v. postagem no blog Sebo Vermelho), avançou e desconstruiu D.H.Lawrence e Nei Leandro de Castro? É o que digo: Natal tem que reconhecer a sua insignificância, impotência e fragilidade diante de um fenômeno de tal magnitude como Nina Rizzi.

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