Poemas de Paulo Henriques Brito

Por Paulo Henriques Brito

FOGO-FÁTUO

Nenhuma solução se oferta
onde problema não havia.
(Cada porta estava aberta
e cada sala vazia.)

E no entanto a consciência
buscava alguma resposta.
(Estava cheia a despensa
e a mesa estava posta.)

Como livrar-se do estigma
de se saber terminável?
(A inexistência do enigma
é uma ausência insuportável.)

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Comentários

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  1. Jarbas Martins 23 de fevereiro de 2012 9:20

    O que gosto na poesia de Paulo Henriques Brito é essa sua maneira,bem à vontade, de escrever sem dar a mínima para tolos preconceitos, de tratar velhos recursos poéticos, velhas formas e temáticas – que tanto irritavam os vanguardistas de plantão. Vejam o pastiche criativo que ele faz da redondilha, da quadrinha, e vejam como ele sabe chegar perto do soneto, sem se “sonetizar”, como queria João Cabral de Melo Neto, talvez um prógono seu.Não à toa PHB é um bom tradutor de Wallace Stevens, um poeta norte-americano com os olhos voltados para o passado.Antípoda do genial Pound, que parecia estar fugindo de tudo que lhe lembrasse tradição.

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