A Poesia

Por François Silvestre

O que é? Pra que serve? Não é nada, serve pra nada. Mentira! É tudo, serve pra tudo. O poeta pode ser inútil, a poesia não. Como disse Luiz Cardóza y Aragón: “A poesia é a única prova concreta da existência do homem”. Na organização social, a abelha e a formiga são mais competentes do que nós. Na arquitetura, não há construção mais funcional do que um ninho de curió ou a casa dum mané de barro. No reino dos “irracionais” só se mata pra saciar a fome. No reino dos “racionais” mata-se pelo prazer irracional de matar, para deixar a carne apodrecer ao relento festivo da ausência poética. A poesia é o sal que afugenta a podridão. Pra que serve? Para desenganar o engano. Para desmistificar a mistificação. Só a poesia nos distingue dos outros animais. No resto, se eles fossem poetas, a terra não precisaria de nós.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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